ALERTA: Uma a cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Engordar após o tratamento da hepatite C

Não sei vocês, mas quando eu comecei a ler sobre a hepatite C, passei a ter mais medo do tratamento do que da própria doença. Li muitos relatos sobre as consequências do tratamento e a perda de peso estava entre elas. Lembro de ter pensado: “tinha que ter uma coisa boa, né?” (rs).


Foto: xJasonRogersx - Flickr

Embora haja casos de pessoas que não perdem peso, o mais comum é acontecer. Por isso tratei de dar uma engordadinha antes de começar a tomar os medicamentos (com uma grande ajuda da minha mãe, que insistentemente me lembrava que eu tinha que ganhar peso). Assim, comecei o tratamento com 54 kg. Após 6 meses, quando parei com os remédios por não ter respondido, estava com 48 kg.

As pessoas também costumam contar que, após o tratamento, ganha-se todo o peso de volta, muito rápido, e, de “brinde”, até uns quilinhos a mais. Agora vocês me perguntam:
“Faz quase 10 meses que você terminou o tratamento. Engordou?”

A resposta é sim. Mas calma: eu engordei de forma controlada, premeditada e acompanhada. A cada consulta, minha nutricionista comemora o meu ganho de peso, sendo que o índice de gordura corporal está hoje até um pouco menor do que no quarto mês de tratamento (quando comecei a medi-lo).

Eu aproveitei o período de tratamento - quando a deficiência de zinco altera o nosso paladar e tira o sabor das coisas - para começar uma reeducação alimentar. E venho empreendendo-a desde então, nada muito radical, mas com disciplina e foco na minha saúde e bem-estar. Não é fácil, nem tanto pelas coisas que deixo de comer, mas pelas coisas que preciso comer (considerando minha rejeição por frutas, verduras e legumes). Mas estou caminhando...

Qual o objetivo deste post? Dizer que o ganho rápido e “abusivo” de peso após o tratamento com interferon/ribavirina não é uma consequência da qual não possamos fugir - como eu achava que seria perante o que via relatado na internet. O problema é a gente resolver recuperar o tempo perdido quando voltar a sentir o sabor das coisas... aí não vai ter jeito.


PS: Alguns podem se perguntar: tanta coisa para se preocupar em relação à hepatite C e os efeitos colaterais do tratamento e você estava preocupada com isso??? TAMBÉM. E lembremos que, antes de uma questão estética, estamos falando de saúde.
Mas não vejo problema algum em nos preocuparmos com a aparência - antes, durante e após o interferon. Como disse minha dermatologista quando eu estava em pleno tratamento: “bota uma maquiagem nesse rosto, que faz bem pra auto-estima”. E realmente fazia.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Casa arrumada - novidades no blog

Michael Karshis

Há algum tempo vinha pensando em dar uma repaginada no layout do blog. Queria algo mais leve, que me permitisse manter a quantidade de informações e, ao mesmo tempo, me tirasse aquela sensação incômoda de "amontoado de coisas".

Criei então um blog de testes e vinha há alguns meses fazendo exercícios, à base de pesquisa em metablogs e do método "tentativa e muito erro". Faltava ainda coragem para implementar as mudanças, mas de repente tive um lampejo de autoconfiança (rs) e, aproveitando o feriadão de Carnaval... Voilà: Animando-C de cara nova.

Confesso que estou orgulhosa pelo resultado. Ainda tem alguns detalhes que não ficaram como eu queria, mas aos pouquinhos eu vou chegando lá.  Deu MUITO trabalho, mas valeu a pena. Noite passada fui dormir às 6h da manhã [minha filha de 2 anos me acordou 50min depois]. O engraçado é que passei o dia fuçando no blog e quase meia noite ainda tenho ânimo para escrever este post. Esse troço vicia mesmo!

Pra completar, migrei o blog para um domínio próprio. Agora ele atende por www.animando-c.com.br. Tô me sentindo até gente grande.

Mas vamos à divisão dos créditos: agradeço à Juliana Sardinha pelas valiosas orientações publicadas no Dicas Blogger. O template escolhido também é obra dessa moça. Várias dicas relativas a widgets peguei no Ferramentas Blog, do Marcos Lemos, além de referências visuais de inúmeros blogs que visito diariamente.


Agora vou para o meu merecido descanso, com probabilidade de sonhar com isso essa noite.

PS: Queridos leitores, peço a compreensão se alguma coisa não se comportar como o esperado. Durante alguns dias podem ocorrer inconsistências devido à mudança de domínio. Além disso, lembrem que a pecinha que fica entre o computador e a cadeira é uma loira em processo de aprendizagem bloguística (rs).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cuidado com o que você deseja: as mulheres e Edward Cullen

O que pode haver de tão interessante numa história adolescente capaz de criar tamanha euforia?

Claro que já tivemos outros grandes sucessos teen na história, como Harry Potter.
Mas agora temos um elemento interessante a analisar: mulheres de 20/30/40 anos suspirando como bobas por causa de um vampiro adolescente? Opa, o que está acontecendo?

Uma história fascinante? Uma escritora incrível? Algum debate socio-histórico-filosófico-cultural inquietante? Não, não e não.

A história é até criativa, mas, convenhamos, o livro parece escrito por uma adolescente - diálogos pobres e falta de profundidade (por favor, adolescentes, não se sintam ofendidos pela minha generalização simplista). Mas numa coisa Stephenie Meyer é mestra: prender a nossa atenção e fazer-nos devorar as páginas. É uma leitura meio viciante.

Provavelmente você deve ter percebido que fui uma das mulheres de 30 que devorou os livros da série.
Confesso: culpada por suspirar pelo vampiro adolescente (claro que não me juntei aos gritinhos histéricos no cinema e coisa e tal). Mas admito o fascínio.

Eu, que gosto de refletir e racionalizar, tenho a minha teoria.
É o próprio Edward que explica à Bella que é o caçador mais perfeito da natureza, já que tudo nele atrai a presa: a aparência, o cheiro etc etc etc. Mas tem uma coisa que eu acho que é a chave da histeria feminina: a personalidade.

Por mais modernas, resolvidas e independentes que sejamos, no fundo no fundo a gente deseja um amor como esse. Um homem que nos acha a pessoa mais linda e interessante da face da terra, que acha nossos defeitos divertidos, que nos deseja acima de tudo - um desejo que é físico, emocional, espiritual. Um homem que é capaz de um sacrifício por nossa causa, que está sempre ao nosso lado e pronto para nos defender desse mundo insano que vivemos. E que tal um relacionamento como aquele? Cumplicidade, compreensão, diálogo... Edward e Bella nem precisam mesmo ler o pensamento um do outro, porque já sabem como o outro pensa. Se conhecem. E amam incondicionalmente o que conhecem.

Tudo muito lindo e romântico, mas vou dizer uma coisa: NADA SAUDÁVEL.

Eu já tive meu Edward Cullen. Fui casada com ele durante quase 6 anos.
E me separei (por minha iniciativa) amando-o tanto que achava ser incapaz de sobreviver sem ele.
Ele era minha vida, meu ar, meu chão.

Sabe aquele casalzinho modelo, alvo de admiração e inveja, que é feliz como as pessoas julgam que jamais poderiam ser? Pois é, éramos nós.
Eu tinha o meu "príncipe encantado" e me sentia a pessoa mais especial da face da terra. Ele fazia com que eu me sentisse assim. Eu me via assim nos olhos dele.

Eu não tinha o que temer, nem tinha o que mais querer.
Vivíamos uma vida de privação financeira, mas nada daquilo abalava o que sentíamos um pelo outro. Um amor e uma cabana.

Tudo era "tão perfeito", "tão perfeito", que minha psicóloga só foi notar que havia algo errado depois de um ano de terapia. Qual era o problema?
"Uma só carne".

Diria John Lennon:

"Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada 'dois em um': duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável."

É claro que não quisemos nos anular.
Mas é isso o que acontece. Tão gradual e silenciosamente, que quando vemos: Ops! Não existe mais um "eu" sem aquela pessoa.

E é assim que Bella decide abrir mão de sua própria vida (e talvez de sua alma, não se tem certeza) para ficar a eternidade ao lado de Edward. Até a morte parecia não ser suficiente - e eu digo a vocês que entendo perfeitamente.

Foram anos de terapia até compreender que o vazio existencial que eu vivia, a depressão que me assolava, não era só um problema genético como eu achava.
Era o reflexo da perda de mim mesma.
Chegou o momento da escolha e eu, sangrando, fiz a opção por mim.

Virei um "anjo caído".
Humana, falível, normal. Digamos que fiz o caminho inverso da Bella.
Não me arrependo, por mais doloroso que tenha sido.

Porque se tem uma coisa que pode ser melhor do que amar e ser amada por um "Edward Cullen", é amar e ser amada por si mesma na mesma intensidade.
Eu não tinha idéia do que significava AUTONOMIA.
Eu não imaginava que conseguiria me sentir mais feliz do que era naquela época, mesmo não tendo todas as minhas necessidades afetivas supridas.

É por isso que eu alerto: cuidado com o que você deseja.
Lendo vários trechos de Eclipse e Amanhecer eu revivia situações e identificava algumas "ciladas".
Não quer dizer que você não possa sonhar com seu Edward. Mas se encontrá-lo, não faça como Bella (nem como eu):  nunca abra mão de você mesma.

E se não encontrá-lo, dê de ombros. Fala aí, John Lennon:


"Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"


PS: Em 29.09.2006, meu "Edward" André Luís se foi no acidente do vôo 1907 da GOL.
Já estávamos separados há dois anos, ambos no segundo casamento, mas ele continuava sendo meu melhor amigo. Ninguém nunca me entendeu como ele.
Me senti a viúva no seu enterro.
Eu era viúva no coração.
Não achei que pudesse seguir em frente. Sentia que não sobreviveria à sua partida.
Mas sabem por que eu sobrevivi???
Porque, dessa vez, eu tinha a mim.

Um ano depois, nascia minha linda Amanda. A vida continua...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Campus Party e Domenico De Masi


Minha experiência na Campus Party semana passada me fez lembrar o sociólogo italiano Domenico De Masi e seu livro "Ócio Criativo" (Editora Sextante), no qual defende o desaparecimento da rígida fronteira entre lazer, trabalho e estudo.

"Você já imaginou fazer apenas o que gosta a vida inteira? Mas e daí, viveria do quê? Sonhos? Se imaginamos o trabalho como um fardo, a situação realmente parece impossível. Mas e se o trabalho, o lazer e o estudo começassem a se misturar em nossas vidas de tal forma que não desse mais para diferenciar uma coisa da outra?"

Fonte: Mario Persona - Entrevista com Domenico De Masi

Não seria isso o que move tantos blogueiros que sonham um dia viver unicamente de seu blog? Não vejo exemplo mais rico para ilustrar a teoria de De Masi do que esse, que claramente integra aquelas três dimensões numa única atividade. E de forma muito intensa, porque o que escrever um blog dá de trabalho e exigência de estudo/pesquisa, dá também de satisfação e diversão. Só faltava mesmo sermos bem pagos por isso, não é mesmo?

Infelizmente essa teoria ainda está distante do meu cotidiano profissional - embora eu goste bastante do projeto que estou conduzindo (tem a ver com educação, gestão do conhecimento e Wiki). Mas pude ter um gostinho da experiência "demasiana" na última semana, quando fui, a trabalho, participar da Campus Party 2010, em São Paulo.

A Campus Party é o maior evento de inovação tecnológica, Internet e entretenimento eletrônico em rede do mundo. Eu fui para aprender mais sobre redes sociais, já que estamos investindo nisso.
Pensei em fazer pra vocês um resumo do que vi, ouvi, vivi, senti. Mas isso ia me levar a mudar a temática do blog, de tanto que há pra contar, discutir, refletir.
 
Confesso que, como educadora, fiquei emocionada em alguns momentos, como na palestra  "A democracia das Redes Sociais", com @gilgiardelli, no espaço SENAC. Sabe aquela sensação de "sim, nós podemos mudar o mundo"?

Gosto dessa sensação.









A quem se interessar pelo assunto, recomendo:

Mídias Sociais nas Organizações

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Redes Sociais e Educação

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