ALERTA: Uma a cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Relacionamentos, hepatite C, HIV: em que hora contar?

Eis uma questão tão delicada quanto controversa: você tem uma doença infecciosa e está começando um relacionamento com alguém.
Pode ser uma relação casual, de uma noite; pode ser um relacionamento duradouro, de uma vida. O fato é que, nesse momento inicial, nem sempre se distingue uma coisa da outra.

Jogo de sedução: olhares, gestos.
Beijos ardentes, mãos percorrendo corpos, corpos invadindo mentes.
Sede, desejo incontrolável. Brincando de tatear limites, de avançar limites, de derrubar limites. Limites? Vão ficando pelo caminho, junto com cada peça de roupa jogada ao chão. Respiração, cheiros, gostos. Desejo.

Definitivamente, este não é o melhor momento de contar.

namoro_hepatitec
Francesco Hayez - Domínio Público

Nada mais óbvio do que começarmos do princípio: você tem mesmo a obrigação de contar? Não, não tem.

Imagino que alguns leitores, provavelmente aqueles com sorologia negativa, devam estar questinando essa afirmação. Como não tem a obrigação de contar? O outro tem o direito de saber e decidir se quer correr o risco!

Aí está o cerne da questão: risco. Ninguém tem a obrigação de contar que tem essas doenças, mas TEM A OBRIGAÇÃO de tomar TODOS os cuidados necessários para que não haja riscos. E, não os havendo, a questão do direito de decisão de corrê-los perde o sentido.

Pausa para lembrar que a hepatite C não é considerada uma doença sexualmente transmissível mas que, em alguns casos raros, a infecção pode dar-se por essa via.  Saiba mais em:

Ouvi alguém aí falar sobre obrigação moral? Sim, chegamos então a outro ponto chave. Revelar ou não é uma decisão de foro íntimo.

Se a relação evoluir, tornar-se mais séria, uma hora ou outra você precisará contar. Porque não dá pra construir uma relação sólida sem honestidade e cumplicidade, não é mesmo? E aí, se você não contou no início, terá um problema agora: como contar?

Como contar para aquela pessoa que você ama que você omitiu dela algo tão sério? Coragem, cadê você? E o medo da pessoa sentir-se traída? E o medo de ser abandonado? Existem casos de casamentos marcados, data aproximando-se, e a pessoa simplesmente não consegue contar. Mas precisa. Nesse caso, precisa.

Talvez a melhor forma de evitar essa situação seja contar desde o início.
Mas atenção: "desde o início" não quer dizer "Oi, muito prazer, eu tenho hepatite C". Oi? Dá uma chance pra pessoa te conhecer antes, né? E saber o quanto você é encantador ou encantadora (rs). 

Acredite em mim: tem gente que não vai se importar.

Mas existirá também gente que se importará. Posso dizer sinceramente o que acho? Que isso sirva também como triagem pra você: pense se gostaria de ter um relacionamento com alguém assim. Eu não…

A minha dica é a seguinte: não saia contando pra todo mundo por aí. Conte para as pessoas que realmente merecem. Falo bastante sobre isso no post:

Quando for contar, cheque se a pessoa tem conhecimento a respeito, dê informações, ofereça folhetos, indique sites (este blog, por exemplo), convide para uma visita a um infectologista.

O post Namoro e HIV: contar ou não contar do blog Diante da Vida traz algumas dicas. Já aviso que é um blog gay, se tiver preconceito, nem entre.


Minha experiência


Nos últimos tempos, tenho falado abertamente sobre a hepatite C, mas só o faço depois que a pessoa me conhece e tem um conceito já formado a meu respeito*. Explico sobre a doença, sobre as formas de contágio, sobre o grave [e silencioso] problema social  que ela representa, e divulgo o blog.

*Refiro-me a relacionamentos sociais de modo geral, já que não tenho assim
muita experiência em relacionamentos amorosos após a descoberta do vírus.

Por que eu falo? Pela causa que represento: levar às pessoas informações sobre a epidemia das hepatites virais, alertando-as sobre prevenção e incentivando-as a fazerem o exame.
É uma escolha minha, que tem a ver com os meus princípios e crenças. Me exponho, é verdade, e arco com as consequências disso.
Se eu acho que você deve se expor? Já falei sobre isso lá em cima: conte apenas para quem merece.
De certo modo, é o que faço, mas digamos que o meu conceito anda bem ampliado… rs.

Recomendo a leitura:

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Flagrante de discriminação no Big Brother Brasil

O preconceito é, talvez, um dos maiores males do mundo moderno. Ele está por aí, escondido na maior parte das vezes. O que nos assusta é vê-lo tão escancarado em situações como a descrita neste post.

Sem, é claro, julgar o mérito do programa, vamos ater-nos a um fato isolado do BBB 11:
A reportagem exposta no link acima é um claro exemplo do que pode ser considerado discriminação.

Já havíamos visto situação semelhante no programa. Lembram-se dessa matéria sobre o BBB 2:
"Tarciana e Jeferson transaram sem camisinha, mas os dois não correram risco às cegas. Ao serem selecionados para o Big Brother Brasil, todos os 12 participantes são submetidos a testes anti-HIV e anti-hepatite C e só entram na casa aqueles cujo resultado do exame dá negativo. A iniciativa visa a proteger os próprios participantes." [grifo meu] Fonte: Globo.com


Em primeiro lugar, como já abordei diversas vezes aqui no Animando-C, a hepatite C não é uma doença sexualmente transmissível, como sugerido na matéria da Globo.com. Para quem não sabe, a transmissão da hepatite C se dá de forma parental, ou seja, contato direto de sangue com sangue contaminado. Clique para saber mais sobre a transmissão da hepatite C.

É possível que, como em muitas outras reportagens e artigos que circulam pela internet, eles estivessem tentando referir-se à hepatite B, que é outra doença - esta sim sexualmente transmissível, com risco de contágio 100 vezes maior que o HIV.

O que poderia ser apenas uma situação vergonhosa acaba tomando ares grotescos quando a reportagem afirma que "a iniciativa visa a proteger os próprios participantes". Soa estranho ou não?

As pessoas precisam ser protegidas dos infectados com HIV e HCV? Eles são um risco à sociedade? É perigoso conviver com eles? É perigoso ter relações de qualquer tipo, inclusive sexuais, com eles?

Não, gente! Não!!!

É pra combater o preconceito, não reforçá-lo: campanha do beijo polêmico do Ministério da Saúde.

Acham que estou exagerando? Então vejam os comentários abaixo, retirados da matéria citada no início deste post:
claudia - 14/01/2011 - 13:59 Estão mais do que certos, tanto a Globo quanto a Record*, já pensou numa prova do programa um destes doentes machucarem e transmitir uma doença contagiosa que não tem cura para um participante desavisado? Ia ter chuvas de processos.
maria - 14/01/2011 - 11:22 Estão certos reality não é local para estes tipos de doentes. vai que contagia alguém. nunca vi uma edição de bbb com tanta gente feia!!!!!!!!!!

*Segundo divulgado na mídia, na terceira edição de A Fazenda, um jogador de futebol teria sido cortado do programa, mesmo depois de ter assinado contrato, pelos exames terem detectado uma DST não divulgada.

Além dos erros conceituais que, nesse caso, referem-se à propagação da ideia de que a hepatite C pode ser transmitida pelo contato sexual, há um ensinamento muito mais permissivo: "olha, pode transar sem camisinha quando a pessoa é saudável, viu?"

Não, gente, não!!! (de novo)

Não dá pra julgar pela cara quem é saudável ou não.
E, sinceramente, nem pelo exame. Já ouviram falar em janela imunológica? Sabia que você pode estar infectado com HIV e o exame dar negativo?
Por que você acha que depois de fazer uma tatuagem você precisa ficar um ano sem doar sangue? É por que não estão precisando do seu sangue? #not

O preconceito contra soropositivos já foi explicitado numa edição anterior do Big Brother na Alemanha, como podemos ler neste post do blog Saudaids (recomendo):

Mas percebam que nesse caso o preconceito foi de um participante, não do programa.

Toda essa discussão me lembrou mais uma coisa: é crime realizar exames de HIV e hepatites virais sem o consentimento do paciente, inclusive para admissão ou exames periódicos em empresas. Fique atento! Leia abaixo o que diz a cartilha da Aiga sobre o assunto:

É crime a realização de teste das hepatites sem o conhecimento das pessoas? Sim. Todo o procedimento médico somente pode ser realizado com o esclarecimento e consentimento prévio das pessoas (art. 46 do Código de Ética Medica), em face ao direito de dispor sobre seu próprio corpo. Caracteriza crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP), a realização do teste das hepatites, sem o consentimento da pessoa ou do responsável legal, salvo se justificada por iminente perigo de vida (art. 146 § 3º do CP). O teste das hepatites em pré-operatórios, sem esclarecimento e consentimento do paciente, excetuado os casos de iminente risco de vida, é crime, violação à ética profissional e gera direito a indenização. A realização dos testes das hepatites, como forma de segurança da equipe médica, gera uma falsa segurança se considerarmos fatores como a "janela imunológica", por exemplo, além de violar os direitos das pessoas. Se você for submetido a testes para diagnosticar as hepatites, sem a sua autorização e consentimento, procure produzir prova sobre este fato através de testemunhas ou documentos.
A empresa tem direito de realizar o teste de detecção das hepatites para admissão de empregados? O teste das hepatites admissional é ilegal e não deve ser realizado nem de forma voluntária. O fato de a pessoa ser portadora de hepatite não implica redução da capacidade para o trabalho. O art. 182 da CLT exige exames para apurar a aptidão física na função que deverá exercer, o que torna desnecessária e discriminatória a solicitação de teste para detecção das hepatites. Por sua vez, a Lei nº 9.029/95, proíbe "a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de emprego, ou sua manutenção". A mesma lei também estabelece como crime a realização de teste ou qualquer outro procedimento relativo à esterilização ou estado de gravidez da empregada. No serviço público federal, através da portaria 869, de 11 de agosto de 1992, fica proibida a exigência de teste anti-HIV (perfeitamente aplicável, também, para os testes de detecção das hepatites), tanto nos exames admissionais como nos demissionais e periódicos.
O que deve ser feito diante da exigência do teste das hepatites como exame admissional, periódico ou demissional? O exame admissional não deve ser solicitado, mesmo com a concordância do trabalhador. Os exames periódicos e demissionais somente podem ser feitos com o conhecimento e consentimento do empregado. Caso você tenha seu direito violado, denuncie o fato ao Ministério Público do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Conselho Regional de Medicina e organizações não-governamentais. Quanto ao exame demissional, o objetivo é proteger o empregado e preservar o empregador de futuros problemas. Se o trabalhador estiver doente, não poderá ser dispensado, devendo ser encaminhado ao INSS para exame médico pericial e licença. Na hipótese da incapacidade para o trabalho ou para sua atividade habitual, por mais de 15 dias, será devido o benefício do auxílio-doença de acordo com o parecer do médico perito, que por lei, é quem dá o parecer final sobre o caso. Caso um edital de concurso exija o teste das hepatites e o candidato aprovado seja excluído por ser positivo, deverá procurar ajuda na Justiça, para, mediante uma AÇÃO CAUTELAR garantir o direito a admissão evitando o ato discriminatório.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Doação de sangue para vítimas no Rio de Janeiro

Como todos sabemos, o Rio de Janeiro tem passado por momentos terríveis por causa das chuvas. Há, não só prejuízos materiais, mas principalmente humanos. A quantidade de mortos e feridos é sem precedentes na história desse Estado. Há necessidade de todos os tipos: roupas, móveis, medicamentos e também de sangue. Nesta manhã, vimos o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mostrando que um exemplo vale muito mais que muitas palavras. Veja a imagem do momento em que ele doava sangue para as vítimas no Rio de Janeiro:

 Foto postada no Twitter do Ministro

ATENÇÃO: não só os hemocentros do Rio de Janeiro precisam de sangue. Faça a doação na sua cidade também!

Pensando nisso, resolvi lembrar aos meus leitores tão conscientes quais as principais informações necessárias a quem quer doar sangue. Já falei algo sobre isso no post Doação de sangue: sem medo e sem desculpas, mas voltei ao assunto dada a necessidade. Não deixe de ajudar. Se você não pode doar, pode passar essa mensagem pra frente e ajudar quem tanto precisa. 

Orientações para aqueles que desejam doar sangue 

Os critérios para ser doador ou ser impedido de tal ato são determinados pelo Ministério da Saúde, observando normas técnicas rígidas. Isso tudo para proteger quem doa e quem recebe.

Ressalto que quem faz a doação tem, ainda, acesso aos exames de sangue que serão feitos gratuitamente, inclusive o de Hepatite C, mas espero que essa não seja sua única motivação. Se você quer apenas os exames, informe-se pelo Disque-Saúde: 0800-61-1997 ou pelos Centros de Testagem Anônima (RJ).

Para ser doador, você deve encaixar-se nos seguintes critérios:
  • Apresentar um documento de identidade com foto. Serve a identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira do conselho profissional e também carteira nacional de habilitação;
  • Apresentar boa saúde;
  • Ter entre 18 e 65 anos;
  • Não pesar menos de 50 Kg;
  • Ter evitado alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e não estar de jejum.
Quais os principais impedimentos temporários para a doação de sangue:
  • Apresentar febre, gripe ou resfriado;
  • Estar grávida;
  • Estar no prazo de 90 dias de parto normal ou de 180 dias de cesariana;
  • Uso de alguns medicamentos (verifique no local de doação de sangue);
  • Comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis.

Há outros impedimentos como aqueles decorrentes de algum ato como os relacionados abaixo:
  • Extração dentária há menos de 72 horas;
  • Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes há menos de 3 meses;
  • Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia, colectomia há menos de 6 meses;
  • Ingestão de bebida alcoólica no dia da doação;
  • Transfusão de sangue há menos de 1 ano;
  • Tatuagem há menos de 1 ano;
  • Vacinação. Neste caso, verifique no local de doação quais os prazos, pois estes variam de acordo com o tipo de vacina.
Quais os impedimentos definitivos para doação de sangue:
  • Hepatite após os 10 anos de idade;
  • Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: hepatites B e C, Aids (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis;
  • Malária.
AJUDE AS VÍTIMAS DAS CHUVAS NO RIO DE JANEIRO

Se você é homem, é necessário esperar 60 dias da última doação de sangue e se você é mulher, 90 dias.
É importantíssimo que você seja verdadeiro ao responder o questionário que antecede a doação, pois a omissão de uma informação a respeito dos ítens que são impedimentos pode não só prejudicar o trabalho dado os gastos com os exames como também, e principalmente, expor aqueles que receberão o sangue a um risco desnecessário.

Segundo o jornal O Globo, há alguns caminhos fáceis para quem quiser ajudar. São eles:
  • O hemocentro fica na Rua Frei Caneca, 08 – Centro. Ele funciona das 7h às 18h, todos os dias, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Você pode, inclusive agendar um horário de doação no Hemorio pelo Disque-Sangue (0800-282 0708);
  • A Cruz Vermelha recebe doações (água mineral, alimentos de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais), leite em pó, colchões, roupa de cama e de banho e cobertores) em sua sede na Praça Cruz Vermelha 10, no Centro. Você pode ainda fazer doações por meio da conta Banco Real Ag. 0201 c/c 1793928-5;
  • O Grupo Pão de Açúcar recebe doações em todas as 100 lojas das redes Pão de Açúcar, ABC CompreBem, Sendas, Extra Supermercado e Hipermercados e Assaí em todo o estado até o dia 26 de janeiro;
  • O Banco do Brasil começou a campanha "Abrace o Rio" e disponibilizou três contas para receber doações: Teresópolis Agência 0741-2 Conta 110000-9, Nova Friburgo Agência 0335-2 Conta 120000-3 e Petrópolis Agência 0080-9 Conta: 76000-5. 

    Não vamos encolher as mãos nesse momento em que nossos amigos fluminenses estão passando por essa tragédia. Você tem muitas opções para ajudar. Eu não posso doar sangue por causa da Hepatite C, mas já fiz a minha contribuição em dinheiro na conta disponibilizada pelo BB.

    Saiba mais sobre doação de sangue:

    quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

    Hepatite C entre seus amigos e familiares

    Às vezes fico com a impressão de que muita gente que chega ao blog não entende direito a dimensão da seguinte estimativa da Organização Mundial da Saúde: 
    Um a cada 30 brasileiros possivelmente está contaminado com os vírus da hepatite B ou C, sendo que 95% deles ainda não sabem que estão infectados.

    Pensem comigo:
    • Quantas pessoas têm na sua família? Mais de trinta?
    • Quantos amigos e colegas de trabalho? Mais de trinta?  
    • Quantos amigos você tem no Orkut, no Facebook? Quantas pessoas você segue no Twitter? Mais de trinta? 

    Se você respondeu que sim a pelo menos uma das perguntas acima, saiba que, estatisticamente, pelo menos uma dessas 30 pessoas pode estar convivendo com o vírus da hepatite B ou C, mesmo sem saber. Às vezes, infelizmente, é uma daquelas pessoas mais queridas - como constatou recentemente um grande amigo. Justo aquele colega mais legal? Pois é...

    Por isso é importante incentivarmos a testagem laboratorial, para que essa pessoa que você quer tanto bem tenha a chance de ser diagnosticada e fazer o tratamento a tempo.
    A tempo de quê? É isso mesmo: a tempo de não morrer por causa disso.

    Trago um exemplo pra vocês: em novembro de 2010, viajando para minha cidade natal, Porto Alegre/RS, tive a oportunidade de rever alguns colegas do saudoso Colégio Cruzeiro do Sul. Foi uma experiência muito legal e quero utilizá-la para ilustrar como a hepatite C está mais próxima do que a gente imagina.

    Um dos prédios do Colégio Cruzeiro do Sul. Foto de Regina Lemos 
    Acompanhem comigo essa história: no 2º Grau (hoje, Ensino Médio), eu estudava numa turma pequena. Éramos apenas 17 alunos, porque escolhemos o curso mais puxado (Química) - a maior parte da turma era de gente muito estudiosa, chamem de cdfs se quiserem, dentre os quais me incluo. Ótimos tempos aqueles.

    É também uma ótima oportunidade para refletirmos sobre a incidência da hepatite C na população brasileira. Daquelas 17 pessoas, no mínimo quatro delas têm um caso muito próximo de hepatite C. Digo "no mínimo", porque hoje não tenho mais contato com muitas delas. E também porque existem os 95% de infectados brasileiros que ainda desconhecem seu diagnóstico.

    • A mãe da Nicole, a tia da Letícia, o irmão da Patrícia e eu.

    Nos dois primeiros casos, fiquei sabendo por meio de contatos aqui no Animando-C. Já em relação ao irmão da Paty, a história é bem curiosa: vi um tweet dele comentando que faria exames para checar se continuava sem o vírus da hepatite C, eliminado após tratamento, e, sem conhecê-lo, respondi. Começamos a conversar depois disso. Um dia, curiosa com o sobrenome, perguntei se conhecia minha colega e descobri que eram irmãos. Interessante, né?

    Numa turma tão pequena... no mínimo quatro casos.
    Não, pessoal, isso não é coincidência. É a incidência.

    Por isso, reforço mais uma vez o apelo: divulgue o alerta das hepatites para seus amigos e familiares. Dê a eles a chance de saberem. E pense se não é conveniente você também fazer o exame de detecção.

    Não sente nada?
    Pois é, nem eu...

    Eu e minhas irmãs: uniforme do Cruzeiro , provavelmente em 1985.

    Desfile do Partido Azul, nas Olimpíadas Cruzeiristas que ocorriam sempre no mês de outubro. Nesse ano de 1993, fui vice-líder do partido.

    Desfile para Rainha da Primavera, pelo Partido Azul - Olimpíadas Cruzeiristas.


    Observação: Estudei a vida toda no Colégio Cruzeiro do Sul, no bairro Teresópolis de Porto Alegre. Tenho muito orgulho por ter sido cruzeirista, como meu avô e também Érico Veríssimo.

    Homenagem ao meu avô Walfredo, que faleceu em novembro de 2010.

    quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

    Ídolos do futebol são vítimas da hepatite C

    Façamos uma viagem para as décadas de 70 e 80 e adentremos o vestiário de um time de futebol profissional (por favor, meninas, sem histeria). Possivelmente veríamos os jogadores fazendo uso endovenoso, muitas vezes por orientação do próprio clube, de estimulantes como Glucoenergan, Energizan, Tiaminose, Complexo B + Glicose.

    Na época, ninguém imaginava o risco do compartilhamento de seringas, ainda mais considerando que o público em questão - atletas - são referência em saúde.

    Mas essa foi a causa da disseminação do vírus da hepatite C entre um número hoje incalculável de ex-atletas profissionais.

    By Ras/Juha Makkonen - WikiMedia Commons


    Silenciosa, a hepatite C permaneceu (e, em alguns casos, ainda permanece) sem manifestar-se durante anos e até décadas.

    Desconhecendo seu diagnóstico e, por isso mesmo, sem os cuidados necessários e tratamento adequado, muitas vidas estão sendo perdidas pela descoberta tardia da hepatite C, quando pouco ou nada resta a se fazer pelo infectado já em grau elevado de comprometimento do fígado.

    Foi assim que mais da metade da equipe do Sport Club Gaúcho morreu em consequência da hepatite C, que também infectou colegas de outros clubes, inclusive o ídolo Larry do Internacional de Porto Alegre. É o que nos mostra excelente reportagem da RBS TV, veiculada em 18/10/2010. Assista o vídeo, vale a pena:






    A grande incidência do vírus da hepatite C entre ex-atletas levou a  Federação das Associações de Atletas Profissionais - FAAP, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) a iniciar em 2010 uma campanha em âmbito nacional. Segundo a entidade, a campanha tem o objetivo de alertar toda a comunidade e, em especial, ex-atletas sobre a importância de se fazer o exame que detecta a hepatite C.

    Se você, leitor, ex-atleta ou não, compartilhou seringas mesmo que apenas uma vez na vida, ou se fazia uso frequente de medicação intravenosa em farmácias quando as seringas ainda eram de vidro e a esterilização questionável, não deixe de pedir ao seu médico na próxima consulta o exame de detecção da hepatite C. Faça isso mesmo que se sinta com a saúde perfeita, pois, como já foi dito, a hepatite C pode não apresentar sintomas por décadas.

    Você pode saber mais sobre a ocorrência de hepatite C em atletas profissionais visitando o post E eu com isso? do blog Elas falam de futebol, participante do concurso Hepatite C, Sem Medo do Animando-C, que deu um iPad ao vencedor.

    Se tiver interesse, visite também os links abaixo:

    Confira o material da campanha da FAAP e Sociedade Brasileira de Hepatologia em 2010: