Uma em cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O que eu aprendi com a hepatite C?

"Muitas coisas ótimas podem ser feitas num dia
se não fizermos sempre desse dia o amanhã."


Às vezes algumas pessoas observam como eu me envolvo passionalmente em algum debate e pensam que estou focando muita energia em algo em detrimento do restante. A verdade é que sou passional sim e, se se tratar de uma injustiça, especialmente que prejudique de alguma forma alguém ou um grupo, eu me envolvo calorosamente mesmo.

Mas meu foco dificilmente estará nisso. Porque, como muitas outras pessoas que precisam conviver com uma doença crônica grave, com a incerteza do futuro, meu foco está na minha qualidade de vida e da minha família.

Acabei de chorar assistindo o vídeo abaixo e percebendo como realmente nossa perspectiva muda e passamos a valorizar as pequenas coisas da vida quando nos deparamos com nossa fragilidade e insignificância de seres humanos mortais. Depois que a gente passa por um longo tratamento com interferon e ribavirina, por exemplo, a gente valoriza o fato de abrir o olho e ter disposição para levantar da cama, sem dor ou fraqueza.

Então, de certo modo, a hepatite C pode ser positiva não apenas no exame de sangue, mas na vida, porque nos ensina a viver de verdade - se estivermos abertos a isso. Claro que ninguém em sã consciência escolheria tê-la se tivesse essa opção de escolha. Alô? Mas eu poderia fazer uma lista a vocês das coisas lindas e importantes que eu tenho hoje em minha vida por causa dela. Então não reclamo nem lastimo - apesar de sentir medo às vezes. 

Vejam no vídeo a seguir: duas pessoas que não podem ver uma à outra, mas podem ouvir suas respostas, falando sobre questões simples como quais são seus sonhos e o que faz você feliz. Reflitam depois.





Estou mais uma vez num período de reavaliação da minha rotina, porque tenho o perfil de acumular muitas atividades e, por isso, mais uma vez me encontro sem tempo de lazer e me sentindo culpada por não dar à minha filha a atenção que ela merece. No domingo passado, quando almoçávamos, ela me disse: "mamãe, hoje vou lhe dar o maior presente de todos: você não vai trabalhar nem um pouquinho no computador nem mexer no celular o dia todo, até eu dormir". Precisa dizer mais alguma coisa? Não, né? O recado foi dado.

Estou envolvida em muitos projetos, especialmente voluntários, e preciso ir terminando a maior parte deles - e não pegar outros! Minha meta agora e poder voltar a ter finais-de-semana de pernas para o ar, sem preocupações, e poder brincar tranquilamente com minha filha sem um monte de pendências martelando na minha cabeça.

Como contei a vocês no post  Vegetarianismo, ansiedade e depressão, passei uns perrengues esse ano que me obrigaram a essa reavaliação. Ao lado disso, também o ódio e falta de respeito ao outro, manifestados nas redes sociais e nas ruas com mais intensidade desde as últimas eleições, têm me feito questionar muita coisa. Eu não sigo uma boa parte dos meus amigos do Facebook mais, simplesmente porque minha tolerância é zero: escreveu qualquer ignorância preconceituosa, eu deixo de seguir na hora, por mais que eu goste da pessoa. É tipo um escudo anti-chateação. E essa estratégia funcionou muito bem, recomendo! :) 




Ao lado disso, tenho mais quatro preocupações principais no momento: a primeira é o fato da minha filha, hoje com 7 anos, dizer todos os dias, várias vezes por dia, que quer uma irmã. A outra é o novo tratamento da hepatite C, que já me foi negado pelo meu plano de saúde. A terceira é a reestruturação que foi anunciada no meu trabalho e ainda não sabemos o que vai acontecer. E a quarta é o fato de eu não estar gostando nadinha da escola que minha filha está estudando e considerar que a metodologia da escola e condução das professoras estão causando sofrimento a ela. Mas isso é assunto para outro post, no outro blog. Aliás, faz tempo que eu não escrevo por lá também... mas cadê o tempo? No momento, meu foco está nesse último problema, porque está diretamente ligado à qualidade de vida do meu maior tesouro. 

E o foco de vocês, onde está? 
No que vocês investem a maior parte do tempo de vocês? 
Será mesmo que é nas coisas certas?

Apenas cada um de nós pode responder por si. 
Sem gabarito.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Como tratar a hepatite C com os novos medicamentos?

Quem acompanha o processo de incorporação dos novos medicamentos da Hepatite C ao Sistema Único de Saúde (SUS) está muito otimista com a proximidade que esses remédios estarão disponíveis. No entanto, nesse momento várias dúvidas aparecem, como:

  • quem será contemplado pelo novo protocolo para receber tratamento?
  • quais dos medicamentos novos deverão ser usados no meu caso? 
  • se meu caso não estiver contemplado no protocolo, devo entrar na justiça pelo tratamento ou esperar?   



A pergunta mais fácil de responder será a primeira, pois brevemente o protocolo estará publicado. As demais deverão ser respondidas individualmente - e, portanto, mais uma vez a importância da confiança em seu médico, pois ele que indicará o melhor caminho. Cada caso é um caso, e há muitos fatores a serem avaliados.

Embora a última palavra sobre o mais adequado para você seja do médico, é importante que estejamos empoderados com conhecimento, para que as decisões sejam conscientes e sejamos sujeitos ativos ao tomá-las.

Para ajudar nessa construção crítica, compartilho abaixo as observações do especialista Carlos Varaldo (hepato@hepato.com - www.hepato.com) sobre o consenso de tratamento da Hepatite C 2015 da EASL, ou seja, que referência deve ser usada para balisar essas decisões.

Acompanhem...

Consenso de tratamento da Hepatite C 2015 da EASL


Tratamentos dos GENÓTIPOS 1 ao 6

Semana passada, durante o 50 Congresso de Fígado - EASL 2015 - foram apresentadas as recomendações de consenso para tratamento da hepatite C na Europa.

É necessário lembrar que não todos os medicamentos estão disponíveis em todos os países, por tanto, as recomendações devem ser interpretadas e adequadas a realidade de cada país, inclusive utilizando interferon peguilado.

Este texto é um resumo sem nenhuma interpretação ou comentário da minha parte. A parte 1 trata do tratamento dos genótipos 1 ao 6. A parte 2 estarei divulgando na próxima semana na qual estarei colocando sobre os tratamentos dos grupos especiais e o monitoramento dos pacientes.

O texto completo do consenso de tratamento do EASL, em inglês, é encontrado aqui.



OBJETIVOS DO TRATAMENTO


* O objetivo da terapia é conseguir a cura da hepatite C para prevenir a cirrose hepática, descompensação da cirrose, câncer de fígado, manifestações extra-hepáticas graves e morte.

* O sucesso do tratamento é o vírus ficar indetectável utilizando um teste sensível (menos de 15 UI / ml), nas 12 semanas ou 24 semanas após o fim do tratamento.

* Em pacientes com fibrose avançada e cirrose, a erradicação do vírus reduz a taxa de descompensação e vai reduzir, embora não abolir, o risco de câncer de fígado.

* Em pacientes com cirrose descompensada, a erradicação do vírus da hepatite C poderá evitar a necessidade de transplante de fígado.


ANTES DO TRATAMENTO


* Antes de indicar o tratamento deve se estabelecer o nexo de causalidade entre a infecção pelo vírus da hepatite C e a doença hepática. Outros fatores podem ser os responsáveis pelo dano hepático e não somente a hepatite C.

* Existindo comorbidades para a progressão da doença hepática medidas corretivas adequadas devem ser adotadas para o tratamento dessas condições.

* A gravidade da doença hepática deve ser avaliada antes do tratamento. A identificação de pacientes com cirrose é de particular importância, já que seu prognóstico é alterado e seu regime de tratamento deve ser adaptado a cada caso especifico.

* A Fibrose pode ser avaliada por métodos não-invasivos, reservando a biópsia hepática para casos em que há incerteza ou potenciais etiologias adicionais.

* A detecção de RNA do vírus e a carga viral deve ser feita por testes sensíveis com um limite inferior de detecção menor de15 UI / ml.

* O genótipo do vírus e no caso do genótipo 1 o subtipo (1a / 1b) devem ser avaliados antes do início do tratamento para determinar a escolha do tratamento.

* O teste IL28B não tem nenhum papel na indicação para o tratamento da hepatite C com os medicamentos orais livres de interferon.


QUEM DEVE SER TRATADO


* Todos os infectados sem tratamento prévio e os não respondedores a um tratamento anterior com doença hepática crônica compensada ou descompensada devem ser considerados para receber o tratamento.

* O tratamento deve ser priorizado para pacientes com fibrose significativa ou cirrose (METAVIR F3 - F4).

* Os pacientes com cirrose descompensada (Child-Pugh B e C) devem ser urgentemente tratados com um regime de livre de interferon.

* O tratamento deve ser priorizado independentemente do estágio de fibrose em pacientes coinfectados com HIV ou HBV, pacientes aguardando transplante de fígado ou pós-transplante hepático, os pacientes com manifestações extra-hepáticas clinicamente significativas (por exemplo, vasculite sintomática associada à crioglobulinemia mista relacionada com a hepatite C, HCV-imune nefropatia e complicações relacionadas com linfoma não-Hodgkin de células B), e pacientes com fadiga debilitante.

* O tratamento deve ser priorizado independentemente do estágio de fibrose para os indivíduos com alto risco de transmitir a hepatite C, incluindo usuários de drogas injetáveis ativos, homens que fazem sexo com homens com práticas sexuais de alto risco, as mulheres em idade fértil que desejam engravidar, pacientes em hemodiálise, e indivíduos privados da liberdade.

* O tratamento pode ser justificado de ser realizado em pacientes com fibrose moderada (METAVIR score F2).

* Em pacientes sem fibrose ou com doença leve (METAVIR F0-F1) e nenhuma das manifestações extra-hepáticas acima mencionadas, a indicação de tratamento deve ser considerada de forma individualizada.

* O tratamento não é recomendado em pacientes com expectativa de vida limitada, devido à presença de comorbidades não relacionadas ao fígado.


CONTRA-INDICAÇÕES AO TRATAMENTO


* Tratamento com interferon e ribavirina é absolutamente contraindicado nos seguintes grupos de doentes: depressão descontrolada, psicose ou epilepsia; mulheres grávidas ou casais que não querem cumprir contracepção adequada; doenças graves simultâneas e comorbidades, incluindo doenças da retina, doença autoimune da tireoide; e doença hepática descompensada.

* O uso do interferon não é recomendado em pacientes com contagem absoluta de neutrófilos inferior a 1500 / mm3 e / ou plaquetas 69.000 / mm3. O tratamento de pacientes com doença hepática avançada, cujos parâmetros estão fora das recomendações pode ser viável em centros experientes sob monitorização cuidadosa e consentimento informado.

* Com base no conhecimento existente, não há contraindicações absolutas para os medicamentos orais livres de interferon aprovados na Europa em 2015. É necessário ter cuidado com o uso de sofosbuvir em doentes com insuficiência renal grave, pois o efeito da insuficiência renal na depuração de metabólitos derivados de sofosbuvir ainda está sendo investigada. A combinação de paritaprevir potenciado com ritonavir, ombitasvir e dasabuvir está passando por avaliação em pacientes com Child-Pugh B cirrose descompensada e está contraindicado em pacientes com Child-Pugh C com cirrose descompensada. Estudos estão em andamento para avaliar a farmacocinética e segurança do simeprevir na cirrose descompensada.


MEDICAMENTOS APROVADOS NA EUROPA


1. Interferon peguilado-alfa 2a injetável contendo 180, 135 ou 90 G de pegIFN-a2a em injeção subcutânea uma vez por semana de 180 ug (ou menos, se a redução da dose necessária).

2. Interferon peguilado-alfa 2b injetável contendo 50 ug por 0,5 mL de injeção subcutânea uma vez por semana de 1,5 ug / pegIFN-a2b kg (ou menos, se a redução da dose necessária).

3. Cápsulas de ribavirina, contendo 200 mg de ribavirina. Duas cápsulas de manhã e 3 à noite se o peso corporal abaixo de 75 kg ou 3 de manhã e 3 à noite se o peso corporal for superior aos 75 kg.

4. Capsulas de sofosbuvir contendo 400 mg de sofosbuvir Um comprimido uma vez ao dia (de manhã).

5. Cápsulas de simeprevir contendo 150 mg de simeprevir Uma cápsula uma vez ao dia (manhã).

6. Capsulas de daclatasvir contendo 30 ou 60 mg de daclatasvir Um comprimido uma vez pao dia (de manhã).

7. Capsulas de sofosbuvir / ledipasvir contendo 400 mg de sofosbuvir e 90 mg de ledipasvir um comprimido uma vez ao dia (manhã).

8. Capsulas de paritaprevir / ombitasvir / comprimidos contendo 75 mg de paritaprevir, 12,5 mg dois comprimidos uma vez por dia (de manhã) e ritonavir ombitasvir com 50 mg de ritonavir.

9. Capsulas de dasabuvir contendo 250 mg de dasabuvir Um comprimido duas vezes ao dia (manhã e noite).


CUIDADOS A TOMAR DURANTE O TRATAMENTO


* Numerosas e complexas interações medicamentosas são possíveis com os medicamentos orais livres de interferon. Regras rígidas devem, portanto, ser aplicadas pelo médico antes de indicar o tratamento. Como os dados se atualizam rapidamente, as orientaçoes para as contra-indicações e ajuste de dose pode ser encontradas em www.hep-druginteractions.org onde são atualizadas regularmente. IMPORTANTE: Antes de iniciar o tratamento consulte sempre o site.

* Tratamentos baseados em cobicistat, efavirenz, nevirapina, etravirina, ritonavir e qualquer inibidor da protease do HIV, impulsionadas ou não por ritonavir, não sao recomendados em pacientes infectados pelo HIV que recebem simeprevir.

* A dose diária daclatasvir deve ser ajustada para 30 mg por dia em doentes infectados pelo HIV que recebem atazanavir / ritonavir e 90 mg diários em recebem efavirenz.

* Nenhuma interação droga-droga tem sido relatada entre sofosbuvir e medicamentos anti-retrovirais.

* A combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir pode ser usado com todos os anti-retrovirais. No entanto, este regime não deve ser usado com a combinação de tenofovir / emtricitabina com atazanavir / ritonavir, darunavir / ritonavir, lopinavir / ritonavir ou elvitegravir / cobicistat quando possível, ou usado com precaução com monitorização frequente da funcao renal.

* A combinação com ritonavir paritaprevir, ombitasvir e dasabuvir não deve ser usado com efavirenz, etravirina ou nevirapina, e rilpivirina devendo ser usado com precaução com monitorização de ECG de repetição. Atazanavir e darunavir deve ser tomado sem inibidores de protease ritonavir e outros são contra-indicados com esta combinação. Elvitegravir / cobicistat não deve ser utilizado com este esquema devido ao efeito de reforço adicional.

* As indicações para o tratamento da hepatite C em co-infectados pelo HIV são idênticas as recomendadas para monoinfectados com hepatite C.

* Apesar dos custos os tratamentos orais livres de interferon são as melhores opções quando disponíveis para tratamento dos mono-infectados e em pacientes co-infectados sem cirrose ou com cirrose compensada (Child-Pugh A) ou descompensada (Child-Pugh B ou C), devido à sua eficácia virológica, facilidade de utilização e tolerabilidade.

* Os mesmos regimes de tratamento livre de IFN podem ser utilizados em co-infectados com resultados idênticos aos obtidos pelos monoinfectados.

* IMPORTANTE: Consulte a TABELA 4 sobre as interações medicamentosas dos medicamentos orais com os medicamentos antirretrovirais, na página 8 das recomendações, em https://ilc-congress.eu/cpgs_full/EASL%20Recommendations%20on%20Treatment%20of%20Hepatitis%20C%202015.pdf

* Na mesma página se encontram as TABELAS 4C, 4E e 4D com as interações medicamentosas com medicamentos de uso geral, como os medicamentos para colesterol, para o coração e para tratamento da ansiedade. A TABELA 4F é sobre os imunossupressores.


TRATAMENTOS


IMPORTANTE: Consulte os QUADROS 5 e 6 os quais mostram quais medicamentos utilizar em cada situação, em  aqui.



- TRATAMENTO DO GENÓTIPO 1


* GENÓTIPO 1 - OPÇÃO 1 - Com interferon

Infectados com o genótipo 1 podem ser tratados com interferon peguilado uma vez por semana, ribavirina em função do peso (1.000 mg para aqueles com menos de 75 kg ou 1.200 mg para os com mais de 75 kg, e uma capsula ao dia de sofosbuvir de 400 mg, com duração do tratamento de 12 semanas).

* GENÓTIPO 1 - OPÇÃO 2 - Com interferon

Infectados com o genótipo 1 podem ser tratados com interferon peguilado uma vez por semana, ribavirina em função do peso (1.000 mg para aqueles com menos de 75 kg ou 1.200 mg para os com mais de 75 kg, e uma capsula ao dia de simeprevir de 150 mg, com duração do tratamento de 12 semanas).

Esta combinação não é recomendada em pacientes infectados com o subtipo 1a que tenham o Q80K detectável na sequência de protease NS3 no início do estudo, avaliada por sequenciamento.

Simeprevir deve ser administrado durante 12 semanas em combinação com interferon peguilado e ribavirina. A partir da semana 12 o interferon peguilado e a ribavirina devem ser administrado (sem simeprevir) por mais 12 semanas (duração total de 24 semanas de tratamento) em doentes sem tratamento prévio e recidivantes a um tratamento anterior, incluindo pacientes com cirrose hepática, e por mais 36 semanas (duração total do tratamento 48 semanas) em respondedores parciais e nulos a um tratamento anterior, incluindo doentes com cirrose.

A carga viral deve ser monitorada durante o tratamento. O tratamento deve ser interrompido se a carga viral e superior a25 UI / ml na semana 4 de tratamento, ou ainda, nas12 e 24 semanas.

* GENÓTIPO 1 - OPÇÃO 3 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 1 podem ser tratado com a combinação de dose fixa de sofosbuvir (400 mg) e ledipasvir (90 mg) em um único comprimido administrado uma vez por dia, sem interferon.

Pacientes sem cirrose, incluindo doentes sem tratamento prévio e com tratamento anterior sem sucesso, devem ser tratados com esta combinação de dose fixa por 12 semanas sem ribavirina.

O tratamento pode ser encurtado para oito semanas em pacientes nunca antes tratados, sem cirrose, ou se carga viral é inferior a 6 milhões (6,8 Log) UI / ml. Isto deve ser feito com precaução, especialmente em pacientes com fibrose F3, enquanto se aguardam maiores resultados da vida real de que 8 semanas de tratamento são suficientes para alcançar altas taxas de resposta virológica sustentada.

Os pacientes com cirrose compensada, incluindo doentes sem tratamento prévio e em retratamento, devem ser tratados com esta combinação de dose fixa por 12 semanas com ribavirina à base de peso diário (1.000 mg em pacientes com menos de75 kg ou 1.200 mg em pacientes com mais de75 kg.

Os pacientes com cirrose compensada com contraindicações para o uso de ribavirina ou com baixa tolerância à ribavirina no tratamento devem receber a combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir durante 24 semanas sem ribavirina.

O tratamento com a combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir com ribavirina pode ser prolongada para 24 semanas em doentes previamente tratados com cirrose compensada e com prognostico negativo de resposta, tais como a contagem de plaquetas inferior a 75.000.

* GENÓTIPO 1 - OPÇÃO 4 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 1 podem ser tratados sem interferon utilizando a combinação de dose fixa de ombitasvir (75 mg), paritaprevir (12,5 mg) e ritonavir (50 mg) em um único comprimido (dois comprimidos uma vez por dia com alimentos), e dasabuvir (250 mg) (um comprimido duas vezes por dia).

Infectados pelo subtipo 1b sem cirrose devem receber esta combinação por 12 semanas sem ribavirina.

Infectados pelo subtipo 1b com cirrose devem receber esta combinação por 12 semanas com ribavirina baseada no peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

Infectados com o subtipo 1a sem cirrose devem receber esta combinação por 12 semanas com ribavirina baseada no peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

Os pacientes infectados com o subtipo 1a com cirrose devem receber esta combinação por 24 semanas com ribavirina baseada no peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

* GENÓTIPO 1 - OPÇÃO 5 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 1 podem ser tratados sem interferon com uma combinação de uma capsula de sofosbuvir por dia (400 mg) e uma de simeprevir ao dia (150 mg) durante 12 semanas.

Nos infectados com cirrose deve ser acrescentada ribavirina diária à base do peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

Em pacientes com cirrose com contraindicações para o uso de ribavirina, estender a duração do tratamento para 24 semanas deve ser considerada.

* GENÓTIPO 1 - OPÇÃO 6 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 1 podem ser tratados sem interferon com uma combinação de uma capsula de sofosbuvir por dia (400 mg) e uma de daclatasvir ao dia (60 mg) durante 12 semanas.

Nos infectados com cirrose deve ser acrescentada ribavirina diária à base do peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

Em pacientes com cirrose com contraindicações para o uso de ribavirina, estender a duração do tratamento para 24 semanas deve ser considerada.


- TRATAMENTO DO GENÓTIPO 2


A melhor opção de tratamento de primeira linha para pacientes infectados com o genótipo 2 é o tratamento sem interferon combinando sofosbuvir e ribavirina. Outras opções podem ser úteis para o pequeno número de pacientes que falham neste regime. Em contextos onde essas opções não estão disponíveis, a combinação de interferon peguilado e ribavirina continua a ser aceitável, de acordo com diretrizes de prática clínica EASL publicados anteriormente.

* GENÓTIPO 2 - OPÇÃO 1 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 2 devem ser tratados com ribavirina baseada no peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.) e uma capsula ao dia de sofosbuvir (400 mg) por 12 semanas.

O tratamento deve ser prolongado até 16 ou 20 semanas em pacientes com cirrose, especialmente se eles são não respondedores a um tratamento anterior.

* GENÓTIPO 2 - OPÇÃO 2 - Sem interferon

infectados com cirrose e / ou não respondedores a um tratamento anterior devem ser tratados com Interferon peguilado uma vez a semana e ribavirina baseada no peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), e uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) durante 12 semanas.

* GENÓTIPO 2 - OPÇÃO 3 - Sem interferon

Pacientes com cirrose e / ou tratamento prévio pode ser tratados sem interferon com uma combinação de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de daclatasvir ao dia (60 mg) durante 12 semanas.


- TRATAMENTO DO GENÓTIPO 3


* GENÓTIPO 3 - OPÇÃO 1 - Com interferon

Infectados com HCV genótipo 3 podem ser tratados com uma combinação de interferon peguilado semanal, ribavirina baseada no peso (1000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1,200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), e uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) durante 12 semanas.

Esta combinação é uma opção valiosa em pacientes que não conseguiram alcançar a resposta sustentada após o tratamento com sofosbuvir mais ribavirina.

* GENÓTIPO 3 - OPÇÃO 2 - Com interferon

Infectados com o genótipo 3 podem ser tratados com ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), e uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) durante 24 semanas.

Esta terapia é abaixo do ideal em pacientes cirróticos não respondedores a um tratamento anterior e em pacientes que não conseguiram alcançar a resposta sustentada após tratamento com sofosbuvir mais ribavirina, devendo ser oferecida uma opção de tratamento alternativo.

* GENÓTIPO 3 - OPÇÃO 3 - Com interferon

Infectados com o genótipo 3 sem cirrose podem ser tratados sem interferon com uma combinação de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de daclatasvir ao dia (60 mg) durante 12 semanas.

Pacientes nunca antes tratados e não respondedores a um tratamento anterior infectados com o genótipo 3 com cirrose devem receber esta associação junto com a ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.) durante 24 semanas, enquanto se aguardam mais dados comparando 12 semanas com ribavirina e 24 semanas, com e sem ribavirina nesta população de pacientes.


- TRATAMENTO DO GENÓTIPO 4


* GENÓTIPO 4 - OPÇÃO 1 - Com interferon

Infectados com o genótipo 4 podem ser tratados com uma combinação de interferon peguilado uma vez por semana, ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), e uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) durante 12 semanas.

* GENÓTIPO 4 - OPÇÃO 2 - Com interferon

Infectados com o genótipo 4 podem ser tratado com uma combinação de interferon peguilado uma vez por semana, ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), e uma capsula de simeprevir ao dia (150 mg).

Simeprevir deve ser administrado durante 12 semanas em combinação com o interferon peguilado e a ribavirina. O interferon peguilado e a ribavirina deve então ser administrada isoladamente durante mais 12 semanas (duração total do tratamento de 24 semanas) em doentes sem tratamento prévio e recidivantes a um tratamento anterior, e nos infectados com cirrose, um adicional de 36 semanas (duração total do tratamento 48 semanas) em respondedores parciais e respondedores nulos no tratamento anterior, incluindo doentes com cirrose.

A carga viral deve ser monitorada durante o tratamento. O tratamento deve ser interrompido se a carga viral for superior a 25 UI / ml na semana 4 de tratamento, ou nas semanas 12 ou 24.

* GENÓTIPO 4 - OPÇÃO 3 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 4 podem ser tratados sem interferon com a combinação de dose fixa de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de ledipasvir ao dia (90 mg) ou em um único comprimido (utilizando o Harvoni®) administrado uma vez por dia.

Pacientes sem cirrose, incluindo os nunca antes tratados e os não respondedores a um tratamento anterior, devem ser tratados com esta combinação de dose fixa por 12 semanas sem ribavirina.

Com base em dados de pacientes infectados com o genótipo 1, os pacientes com cirrose compensada, incluindo doentes sem tratamento anterior e os não respondedores a um tratamento anterior, devem ser tratados com esta combinação de dose fixa por 12 semanas com ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

Os pacientes com cirrose compensada com contraindicações para o uso de ribavirina ou com baixa tolerância à ribavirina no tratamento devem receber a combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir durante 24 semanas sem ribavirina.

Com base em dados de pacientes infectados com o genótipo 1, o tratamento com a combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir com ribavirina pode ser prolongada até 24 semanas em doentes previamente tratados com cirrose compensada e prognósticos negativos de resposta, tais como a contagem de plaquetas inferior a 75.000 mL.

* GENÓTIPO 4 - OPÇÃO 4 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 4 sem cirrose podem ser tratados sem interferon utilizando a combinação de dose fixa de ombitasvir (75 mg), paritaprevir (12,5 mg) e ritonavir (50 mg) em um único comprimido (dois comprimidos, uma vez por dia com alimentos), durante 12 semanas com ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), sem dasabuvir.

Infectados com o genótipo 4 com cirrose devem ser tratados sem interferon utilizando a combinação de dose fixa de ombitasvir (75 mg), paritaprevir (12,5 mg) e ritonavir (50 mg) em um único comprimido (dois comprimidos, uma vez por dia com alimentos), para 24 semanas com ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), sem dasabuvir, na pendência de dados.

* GENÓTIPO 4 - OPÇÃO 5 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 4 podem ser tratados sem interferon com uma combinação de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de simeprevir ao dia (150 mg), durante 12 semanas.

Com base em dados com outras combinações, acrescentando ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.) é recomendado em pacientes com cirrose.

Em pacientes com cirrose com contraindicações para o uso de ribavirina, a duração do tratamento em 24 semanas deve ser considerada.

* GENÓTIPO 4 - OPÇÃO 6 - Sem interferon

Infectados com o genótipo 4 podem ser tratados sem interferon com uma combinação de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de daclatasvir ao dia (60 mg) durante 12 semanas.

Com base em dados com outras combinações, acrescentando ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.) é recomendado em doentes com cirrose.

Em pacientes com cirrose com contraindicações para o uso de ribavirina, a duração do tratamento em 24 semanas deve ser considerada.


- TRATAMENTO DOS GENÓTIPOS 5 e 6


* GENÓTIPOS 5 e 6 - OPÇÃO 1 - Com interferon

Infectados com os genótipos 5 ou 6 podem ser tratados com uma combinação de semanal interferon peguilado, ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.), e uma capsula de sofosbuvir ao dia(400 mg) durante 12 semanas.

* GENÓTIPOS 5 e 6 - OPÇÃO 2 - Sem interferon

Infectados com os genótipos 5 ou 6 podem ser tratados sem interferon com a combinação de dose fixa de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de ledipasvir ao dia (90 mg) ou em um único comprimido (utilizando o Harvoni®) administrado uma vez por dia.

Pacientes sem cirrose, incluindo doentes sem um tratamento anterior e os não respondedores a um tratamento anterior, devem ser tratados com esta combinação de dose fixa por 12 semanas sem ribavirina.

Com base em dados de pacientes infectados com o genótipo 1, os pacientes com cirrose compensada, incluindo doentes sem tratamento anterior e os não respondedores a um tratamento anterior, devem ser tratados com esta combinação de dose fixa por 12 semanas com ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.).

Os pacientes com cirrose compensada com contraindicações para o uso de ribavirina ou com baixa tolerância à ribavirina no tratamento devem receber a combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir durante 24 semanas sem ribavirina.

Com base em dados de pacientes infectados com o genótipo 1, o tratamento com a combinação de dose fixa de sofosbuvir e ledipasvir com ribavirina pode ser prolongada até 24 semanas em doentes previamente tratados com cirrose compensada e prognósticos negativos de resposta, tais como a contagem de plaquetas inferior a 75.000/ mL.

* GENÓTIPOS 5 e 6 - OPÇÃO 3 - Sem interferon

Infectados com os genótipos 5 ou 6 podem ser tratados sem interferon com a combinação de dose fixa de uma capsula de sofosbuvir ao dia (400 mg) e uma capsula de daclatasvir ao dia (60 mg) durante 12 semanas.

Com base em dados com outras combinações, acrescentando ribavirina baseada no peso (1.000 mg ao dia para pacientes com menos de 75 kg e 1.200 mg para pacientes com mais de 75 kg.) é recomendado em doentes com cirrose.

Em pacientes com cirrose com contraindicações para o uso de ribavirina, a duração do tratamento de 24 semanas deve ser considerada.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Manifestações extra-hepáticas na Hepatite C

O principal parâmetro de acompanhamento da evolução da hepatite C no paciente é a fibrose hepática. Mas a doença pode causar outras complicações. Portanto, é importante estar atento ao seu organismo e informar ao médico tudo relativo à sua saúde na consulta periódica - mesmo que ache que não exista relação com a hepatite C.

Eu compartilhei com vocês no post Preparação para o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos que estou apresentando frequentemente alguns sintomas desagradáveis na pele (ardência, inchaço e vermelhidão), sugestivos de doença autoimune - uma das possíveis complicações da hepatite C.  Se isso me assusta? Demais!

Fiquei devendo a vocês uma foto, olhem que belezura... Não sei se dá pra perceber o quanto fica inchado embaixo dos olhos.



No ano passado, eu conversava com o Dr. Hoel Sette, importante infectologista de São Paulo, que me aconselhava iniciar o tratamento com os novos medicamentos o mais rápido possível, justamente pela possibilidade desse tipo de manifestação. O encaminhamento do meu infectologista, Dr. José David Urbaez Brito, é o mesmo: é urgente iniciar esse tratamento.

Em meu caso, que sou respondedora nula ao esquema Interferon Peguilado/Ribavirina, não tenho outra alternativa senão um tratamento livre de interferon. Por um lado, isso é um alívio - já que ninguém em sã consciência gostaria de enfrentar os efeitos colaterais daquele tratamento se não há chance de cura. Mas, por outro lado, começa a angústia de conseguir fazer um tratamento tão caro, que já foi negado pelo meu plano de saúde.

Ao lado das complicações naturais da hepatite C, também me preocupa muito nesse momento o fato de minha idade estar avançando (estou com 37 anos) e eu não ter indicação para engravidar novamente antes de estar curada da hepatite - por causa da Colestase Intra-hepática Gestacional que apresentei na primeira gravidez. Minha filha me pede todo santo dia uma irmãzinha e eu tenho consciência de que minha capacidade reprodutiva está diminuindo. Não é falta de otimismo, é estatística.

Portanto, esse tratamento é minha meta de 2015. Quando apaguei as velinhas no meu aniversário há dois meses, as lágrimas rolaram fazendo esse desejo. Vejamos agora como operacionalizar isso. Entrar na Justiça? Acho que é o caminho mais viável para mim agora...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Vegetarianismo, ansiedade e depressão

Há alguns meses, recebi recomendação médica para reduzir o volume de minhas atividades, porque comecei a ter alguns sintomas de stress. Mas gente.. se eu estou super acostumada a um ritmo de vida bastante agitado, com muitas responsabilidades, então por que isso agora?

Eu explico.

Esse ano fiz uma mudança drástica na minha alimentação. Participei de um retiro de Acroyoga num final-de-semana MARAVILHOSO na Chapada dos Veadeiros (Goiás), durante o qual se adotou uma alimentação vegetariana. Eu me senti tão bem - ideologicamente falando, pensando nas alminhas dos bichinhos - que continuei sem comer carne depois disso.     



Nem relacionei esse fato quando tive uma crise de ansiedade e depressão, que me deixou prostrada na cama e de licença do trabalho por três semanas.  Dá pra acreditar? Uma das pessoas mais animadas da face da Terra tendo de tomar antidepressivo e Rivotril? Mas a verdade é que praticamente passei os dias todos do mês passado apenas dormindo. E triste. Muito triste. :(

O engraçado é que a vida inteira eu li que a carne vermelha causa depressão, e não o contrário. Mas eis que o Dr. Google me alertou para essa hipótese: Mulheres que consomem carne vermelha possuem 50% menos chance de sofrer com depressão. Consultei duas nutricionistas, inclusive uma vegetariana, e, com base nas conversas que tivemos, resolvi adiar essa decisão de deixar de comer carne para um outro momento.

Foi uma decisão difícil, mas acertada. Há três semanas eu voltei a comer carne, e sabem como me sinto?


Lembram do filme Amanhecer Parte 1 (Saga Crepúsculo), quando a Bella Swan, humana, grávida de um bebê meio-mortal-meio-vampiro, estava praticamente morrendo e ninguém sabia o que fazer para salvá-la? Até que se tem a ideia de que o bebê poderia estar precisando de sangue humano. Ela toma de canudinho uma bolsa de sangue e, imediatamente, começa a melhorar.

Pois bem, foi isso o que aconteceu comigo - pulando a parte do sangue humano, já que o sangue bovino foi suficiente no meu caso. :) O fato é que, nessas três semanas em que voltei a comer carne, já me sinto voltando ao normal, mais forte e menos triste. As pessoas próximas que acompanharam tanto a fase difícil como esse início de recuperação não têm dúvidas de que a causa foi realmente a ausência da carne na alimentação. Algumas amigas vegetarianas ainda juram que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Na minha opinião, há fortes indícios de que tenha sido, embora eu não possa afirmar isso.

  • A parada de ingestão de carne foi a única mudança significativa na minha vida nesse ano, o restante continua tudo igual. Ou seja, não há um fato gerador para uma crise de ansiedade e depressão.
  • Eu já tive uma depressão em 2001, da qual levei dois anos para me recuperar, tendo que tomar antidepressivo e fazer psicoterapia. De lá para cá, nunca mais tive depressão: mesmo com a morte de pessoas amadas ou com o tratamento com interferon e ribavirina, que tem a depressão como um dos efeitos colaterais. Sabem o que é curioso? Que agora eu reflito que naquela época eu estava tão ferrada de grana, que eu não tinha dinheiro para comer carne todos os dias. Acho que eu comia carne a cada 15 dias, se isso. Fico pensando se não aconteceu justamente a mesma coisa, já que também parei de comer carne bruscamente. Não há como saber. 
  • Na Dieta do Grupo Sanguíneo, o tipo "O" (o meu) é considerado o grupo carnívoro, em que a carne é base da alimentação. Minha nutricionista disse que essa dieta não é validada cientificamente e, portanto, não deve ser considerada. Mas, segundo ela, o que é confirmado cientificamente é que o sangue tipo "O" seria mais antigo e necessitaria de mais proteína que os demais. 
  • Ainda minha nutricionista explicou que alguns organismos não se adaptam ao vegetarianismo, possivelmente por questões genéticas, e que as consequências que ela vê nos pacientes estariam justamente ligadas à questão de neurotransmissores. Eu substituí a carne por grande quantidade de ovos, achando que essa proteína animal seria suficiente (não sou uma total irresponsável hehe), mas, novamente segundo a nutricionista, a proteína do ovo não tem a mesma quantidade de aminoácidos presente na carne.

O interessante é que a crise não aconteceu porque eu tinha vontade de comer carne. Não tinha. Fui a churrascos naquele período e nem me senti "tentada". A verdade é que eu não tinha vontade de comer carne. E, aos poucos, fui deixando de ter vontade de comer qualquer coisa. Não sentia forças para levantar da cama para comer :(

Eu ainda tinha a opção de fazer uma tentativa de suplementação com aminoácidos sintéticos, mas achei que esse não era o melhor momento, já que tenho a intenção de fazer um novo tratamento da hepatite C e preciso estar forte e 100% pronta para a batalha.

Segundo minha nutricionista, é possível que leve uns três meses para que eu me recupere totalmente, e devo considerar continuar o antidepressivo até lá.

De qualquer forma, toda crise é um momento de reflexão e mudança. Então estou aproveitando o momento-perrengue para, mais uma vez, reavaliar minha vida. Especialmente o excesso de atividades e responsabilidades. Estou querendo ter uma vidinha mais tranquila agora, mais de "gente normal" com tempo para ficar em casa de pernas pra cima sem fazer nada no final-de-semana. E isso talvez signifique eu diminuir minhas postagens nos blogs/redes sociais e os trabalhos voluntários. ["Diminuir" não é "parar", não se preocupem]

Se eu desisti de ser vegetariana? Não. :) Mas tentarei fazer isso de forma mais planejada - e com acompanhamento - no futuro.

Peço desculpas pela minha ausência, mas agora vocês entendem o motivo.
Agradeço a todos que mandaram mensagens preocupadas comigo, por fazer algum tempo que não postava nada no blog. Vocês são uns amores e enchem meu coração de alegria. <3

PS: E meu novo tratamento? Foi negado pelo plano de saúde. :( Recebi a correspondência hoje, indeferindo meu recurso em última instância lá dentro - sem sequer uma justificativa. Então aguardem as cenas dos próximos capítulos...


Atualização em  12/11/2017: dois anos após escrever esse texto, o que posso dizer é que não acredito mais nele. Voltar a comer carne não me trouxe benefício algum. Para começar, não curei a ansiedade nem a depressão (mesmo fazendo tratamento com remédios psiquiátricos) - o que automaticamente já mostra que não havia relação direta entre a doença e a falta de carne. Ou seja, falso

Mas e a pesquisa científica que você citou? Ah a Ciência... todos os artigos baseavam-se em apenas UM estudo - e isso, caros amiguinhos, não pode ser considerado como referência, mesmo porque não sabemos por quem ele foi financiado. Hoje me considero ingênua por ter acreditado nisso - e meio idiota por ter compartilhado no blog com tanta convicção. Peço desculpas a vocês, leitores e leitoras.   

Cheguei a um momento de vida em que não aguento mais ficar doente. Os efeitos colaterais dos remédios para uma coisa me geram outra doença na semana seguinte. Além disso, minha caminhada moral está tornando cada vez mais incoerente o fato de comer carne. Nesse sentido, estou reconsiderando o veganismo. Para entender melhor sobre o que estou falando, assista o documentário "What the health" - está no Netflix. 

Espero daqui há dois anos poder voltar aqui me sentindo menos envergonhada de mim mesma. Fica o alerta: cuidado com o que você lê e ouve. Muitas vezes selecionamos apenas aquilo que confirma o que estamos querendo acreditar. E isso pode ser um grande erro. Vale para tudo!