Uma em cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O que eu aprendi com a hepatite C?

"Muitas coisas ótimas podem ser feitas num dia
se não fizermos sempre desse dia o amanhã."


Às vezes algumas pessoas observam como eu me envolvo passionalmente em algum debate e pensam que estou focando muita energia em algo em detrimento do restante. A verdade é que sou passional sim e, se se tratar de uma injustiça, especialmente que prejudique de alguma forma alguém ou um grupo, eu me envolvo calorosamente mesmo.

Mas meu foco dificilmente estará nisso. Porque, como muitas outras pessoas que precisam conviver com uma doença crônica grave, com a incerteza do futuro, meu foco está na minha qualidade de vida e da minha família.

Acabei de chorar assistindo o vídeo abaixo e percebendo como realmente nossa perspectiva muda e passamos a valorizar as pequenas coisas da vida quando nos deparamos com nossa fragilidade e insignificância de seres humanos mortais. Depois que a gente passa por um longo tratamento com interferon e ribavirina, por exemplo, a gente valoriza o fato de abrir o olho e ter disposição para levantar da cama, sem dor ou fraqueza.

Então, de certo modo, a hepatite C pode ser positiva não apenas no exame de sangue, mas na vida, porque nos ensina a viver de verdade - se estivermos abertos a isso. Claro que ninguém em sã consciência escolheria tê-la se tivesse essa opção de escolha. Alô? Mas eu poderia fazer uma lista a vocês das coisas lindas e importantes que eu tenho hoje em minha vida por causa dela. Então não reclamo nem lastimo - apesar de sentir medo às vezes. 

Vejam no vídeo a seguir: duas pessoas que não podem ver uma à outra, mas podem ouvir suas respostas, falando sobre questões simples como quais são seus sonhos e o que faz você feliz. Reflitam depois.





Estou mais uma vez num período de reavaliação da minha rotina, porque tenho o perfil de acumular muitas atividades e, por isso, mais uma vez me encontro sem tempo de lazer e me sentindo culpada por não dar à minha filha a atenção que ela merece. No domingo passado, quando almoçávamos, ela me disse: "mamãe, hoje vou lhe dar o maior presente de todos: você não vai trabalhar nem um pouquinho no computador nem mexer no celular o dia todo, até eu dormir". Precisa dizer mais alguma coisa? Não, né? O recado foi dado.

Estou envolvida em muitos projetos, especialmente voluntários, e preciso ir terminando a maior parte deles - e não pegar outros! Minha meta agora e poder voltar a ter finais-de-semana de pernas para o ar, sem preocupações, e poder brincar tranquilamente com minha filha sem um monte de pendências martelando na minha cabeça.

Como contei a vocês no post  Vegetarianismo, ansiedade e depressão, passei uns perrengues esse ano que me obrigaram a essa reavaliação. Ao lado disso, também o ódio e falta de respeito ao outro, manifestados nas redes sociais e nas ruas com mais intensidade desde as últimas eleições, têm me feito questionar muita coisa. Eu não sigo uma boa parte dos meus amigos do Facebook mais, simplesmente porque minha tolerância é zero: escreveu qualquer ignorância preconceituosa, eu deixo de seguir na hora, por mais que eu goste da pessoa. É tipo um escudo anti-chateação. E essa estratégia funcionou muito bem, recomendo! :) 




Ao lado disso, tenho mais quatro preocupações principais no momento: a primeira é o fato da minha filha, hoje com 7 anos, dizer todos os dias, várias vezes por dia, que quer uma irmã. A outra é o novo tratamento da hepatite C, que já me foi negado pelo meu plano de saúde. A terceira é a reestruturação que foi anunciada no meu trabalho e ainda não sabemos o que vai acontecer. E a quarta é o fato de eu não estar gostando nadinha da escola que minha filha está estudando e considerar que a metodologia da escola e condução das professoras estão causando sofrimento a ela. Mas isso é assunto para outro post, no outro blog. Aliás, faz tempo que eu não escrevo por lá também... mas cadê o tempo? No momento, meu foco está nesse último problema, porque está diretamente ligado à qualidade de vida do meu maior tesouro. 

E o foco de vocês, onde está? 
No que vocês investem a maior parte do tempo de vocês? 
Será mesmo que é nas coisas certas?

Apenas cada um de nós pode responder por si. 
Sem gabarito.

6 comentários:

  1. muito lindo o vídeo! emocionante...
    Me lembro todos os dias das palavras do médico ao ler pra mim o resultado positivo pra hepatite C: "fique tranquila, existe tratamento, e tenha fé...é a fé que vai fazer vc se curar, essas doenças aparecem pra fazer a gente pensar na vida...no que realmente precisamos valorizar."
    Estou no aguardo para iniciar o tratamento e preocupada...
    Gosto muito do seu blog, bjs :-)

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    Respostas
    1. Gosto muito de Ler o que todos tem comentado.

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  2. Boa tarde!
    Tenho uma duvida, acabei de pegar meu exame anti hcv e deu reagente com índice 71.760...de acordo com tudo que li aqui no blog achei um numero muito alto já que o não ragente é até 0.90...o que isso quer dizer? que estou em estado agudo? ou que já é crônico?
    Por favor alguém pode me responder para me ajudar??

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  3. E vc ja comecou o tratamento com o novo medicamento?

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  4. recebi esse resultado tão dificil de "engolir" semana passada e estou muito triste, ainda não sei o q irei fazer, moro no interior e aqui não temos profissional na area de infecto. sou profissional da saude ha 25 anos e não sei como adquiri o virus, pois ja me acidentei com agulhas de pacientes, fiz transfusão de sangue em 2003, ja tiraram muitos "bifes" dos meus dedos na manicure e ja tomei vacina de pistola. então resumindo, foi uma dessas coisas, pois nunca utilizei drogas e nem sai por ai transando com todo mundo.. ainda não caiu a ficha e não sei o q fazer. não falei pra ngm da minha familia, só disse q irei fazer alguns exames complementares a pedido do meu clinico.. todo ano faço um checape pra saber como está minha saude, porem nunca tinha feito o HCV. e nunca senti nada. fiz cirurgia para retirada da vesícula em 1998 e sempre achei q o desconforto sentido no figado fosse pela falta da vesicula ou pelas besteiras q as vzs comia.. mais vamos lá né.. como eu sempre falo, é o temos pra hoje.. o negocio e ter coragem e enfrentar mais essa batalha. obrigada pelos esclarecimentos colocados aqui e pelo apoio e animo que nos passa. com ctz irei postar mais coisas sobre meu tratamento aqui e estou confiante que vai dar tudo certo.. um grande abraço a todos.

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