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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Vegetarianismo, ansiedade e depressão

Há alguns meses, recebi recomendação médica para reduzir o volume de minhas atividades, porque comecei a ter alguns sintomas de stress. Mas gente.. se eu estou super acostumada a um ritmo de vida bastante agitado, com muitas responsabilidades, então por que isso agora?

Eu explico.

Esse ano fiz uma mudança drástica na minha alimentação. Participei de um retiro de Acroyoga num final-de-semana MARAVILHOSO na Chapada dos Veadeiros (Goiás), durante o qual se adotou uma alimentação vegetariana. Eu me senti tão bem - ideologicamente falando, pensando nas alminhas dos bichinhos - que continuei sem comer carne depois disso.


Nem relacionei esse fato quando tive uma crise de ansiedade e depressão, que me deixou prostrada na cama e de licença do trabalho por três semanas.  Dá pra acreditar? Uma das pessoas mais animadas da face da Terra tendo de tomar antidepressivo e Rivotril? Mas a verdade é que praticamente passei os dias todos do mês passado apenas dormindo. E triste. Muito triste. :(

O engraçado é que a vida inteira eu li que a carne vermelha causa depressão, e não o contrário. Mas eis que o Dr. Google me alertou para essa hipótese: Mulheres que consomem carne vermelha possuem 50% menos chance de sofrer com depressão. Consultei duas nutricionistas, inclusive uma vegetariana, e, com base nas conversas que tivemos, resolvi adiar essa decisão de deixar de comer carne para um outro momento.

Foi uma decisão difícil, mas acertada. Há três semanas eu voltei a comer carne, e sabem como me sinto?


Lembram do filme Amanhecer Parte 1 (Saga Crepúsculo), quando a Bella Swan, humana, grávida de um bebê meio-mortal-meio-vampiro, estava praticamente morrendo e ninguém sabia o que fazer para salvá-la? Até que se tem a ideia de que o bebê poderia estar precisando de sangue humano. Ela toma de canudinho uma bolsa de sangue e, imediatamente, começa a melhorar.

Pois bem, foi isso o que aconteceu comigo - pulando a parte do sangue humano, já que o sangue bovino foi suficiente no meu caso. :) O fato é que, nessas três semanas em que voltei a comer carne, já me sinto voltando ao normal, mais forte e menos triste. As pessoas próximas que acompanharam tanto a fase difícil como esse início de recuperação não têm dúvidas de que a causa foi realmente a ausência da carne na alimentação. Algumas amigas vegetarianas ainda juram que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Na minha opinião, há fortes indícios de que tenha sido, embora eu não possa afirmar isso.

  • A parada de ingestão de carne foi a única mudança significativa na minha vida nesse ano, o restante continua tudo igual. Ou seja, não há um fato gerador para uma crise de ansiedade e depressão.
  • Eu já tive uma depressão em 2001, da qual levei dois anos para me recuperar, tendo que tomar antidepressivo e fazer psicoterapia. De lá para cá, nunca mais tive depressão: mesmo com a morte de pessoas amadas ou com o tratamento com interferon e ribavirina, que tem a depressão como um dos efeitos colaterais. Sabem o que é curioso? Que agora eu reflito que naquela época eu estava tão ferrada de grana, que eu não tinha dinheiro para comer carne todos os dias. Acho que eu comia carne a cada 15 dias, se isso. Fico pensando se não aconteceu justamente a mesma coisa, já que também parei de comer carne bruscamente. Não há como saber. 
  • Na Dieta do Grupo Sanguíneo, o tipo "O" (o meu) é considerado o grupo carnívoro, em que a carne é base da alimentação. Minha nutricionista disse que essa dieta não é validada cientificamente e, portanto, não deve ser considerada. Mas, segundo ela, o que é confirmado cientificamente é que o sangue tipo "O" seria mais antigo e necessitaria de mais proteína que os demais. 
  • Ainda minha nutricionista explicou que alguns organismos não se adaptam ao vegetarianismo, possivelmente por questões genéticas, e que as consequências que ela vê nos pacientes estariam justamente ligadas à questão de neurotransmissores. Eu substituí a carne por grande quantidade de ovos, achando que essa proteína animal seria suficiente (não sou uma total irresponsável hehe), mas, novamente segundo a nutricionista, a proteína do ovo não tem a mesma quantidade de aminoácidos presente na carne.

O interessante é que a crise não aconteceu porque eu tinha vontade de comer carne. Não tinha. Fui a churrascos naquele período e nem me senti "tentada". A verdade é que eu não tinha vontade de comer carne. E, aos poucos, fui deixando de ter vontade de comer qualquer coisa. Não sentia forças para levantar da cama para comer :(

Eu ainda tinha a opção de fazer uma tentativa de suplementação com aminoácidos sintéticos, mas achei que esse não era o melhor momento, já que tenho a intenção de fazer um novo tratamento da hepatite C e preciso estar forte e 100% pronta para a batalha.

Segundo minha nutricionista, é possível que leve uns três meses para que eu me recupere totalmente, e devo considerar continuar o antidepressivo até lá.

De qualquer forma, toda crise é um momento de reflexão e mudança. Então estou aproveitando o momento-perrengue para, mais uma vez, reavaliar minha vida. Especialmente o excesso de atividades e responsabilidades. Estou querendo ter uma vidinha mais tranquila agora, mais de "gente normal" com tempo para ficar em casa de pernas pra cima sem fazer nada no final-de-semana. E isso talvez signifique eu diminuir minhas postagens nos blogs/redes sociais e os trabalhos voluntários. ["Diminuir" não é "parar", não se preocupem]

Se eu desisti de ser vegetariana? Não. :) Mas tentarei fazer isso de forma mais planejada - e com acompanhamento - no futuro.

Peço desculpas pela minha ausência, mas agora vocês entendem o motivo.
Agradeço a todos que mandaram mensagens preocupadas comigo, por fazer algum tempo que não postava nada no blog. Vocês são uns amores e enchem meu coração de alegria. <3

 PS: E meu novo tratamento? Foi negado pelo plano de saúde. :( Recebi a correspondência hoje, indeferindo meu recurso em última instância lá dentro - sem sequer uma justificativa. Então aguardem as cenas dos próximos capítulos...

7 comentários:

  1. Olá, muuuuito bom o seu post. Tb estou numa saga para parar de comer carne. As razões são muitas, incluindo as ambientais e espirituais (tadinhos dos bichinhos) a até a sensação de indisposição e sono (incapacitante mesmo) e terminando nos efeitos sobre o humor (a explicação dos psiquiatras sobre a competição do triptofano nos receptores de serotonina e no excesso de hormônios na carne me parece plusível por enquanto). Do seu relato noto q comigo aconteceu o contrário: sempre q fico sem comer carne vermelha tudo muda imediatamente (e perdura...) o humor, a disposição, até fico mais bonita (meu rosto desincha e as olheiras somem) mas eis q os dias passam e sinto vontade de comer carne (parece q esqueço das más sensações) e depois de comer carne.... me lembro do mal q ela me faz. :/ vou acompanhar sua "saga" tb pra aumentar minha força de vontade. Ainda bem q quase nao tenho vontade de comef carne vermelha, senão estaria " frita" (como um bife! Kkk)

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  2. muito bom! obrigada por compartilhar! amei!

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  3. Sou vegetariano há 7 anos e sofri uma crise de depressão recentemente. Este post me ajudou demais. Muito obrigado

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  4. Olá. Sou vegetariano há cerca de 15 anos ou mais. Decidi ser vegetariano por conta própria (irresponsabilidade minha). Eu sinto todos os sintomas que vocês citaram, além do desvio de atenção, falta de atitude, e por aí vai... Eu não sei o que fazer, pois estou com nojo de carne. Alguém pode doar algum Conselho?

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    1. Não dá para relacionarmos esses sintomas diretamente à falta de carne. Até no meu caso pode ter sido coincidência. Você deveria consultar um nutricionista. Acho que voltar a comer carne NÃO é uma opção no seu caso. Melhoras!!

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  5. Aconteceu exatamente a mesma coisa comigo, coloquei vegetarianismo e depressão e fui parar no seu blog. Eu voltei a ter cólica menstrual quando parei de comer carne e não queria voltar a tomar anticoncepcional e começei a pesquisar. O problema é que as carnes são fontes de zinco, no reino vegetal geralmente tem muitos fitatos que atrapalham a absorção do zinco (além de encontrarmos em menor quantidade também) tentei suplementar zinco, mas atacou meu estômago então voltei a comer carne. Tem mais detalhes se quiser eu te explico melhor mas resumidamente eh isso, deficiencia de zinco tambem tem relação com depressão. Adorei sua postagem, melhoras para ti!

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  6. Essa tristeza também pode estar ligada à falta de B12, que também acontece não só com vegetarianos, mas com onivoros. Acessem o grupo B12 na dieta vegetariana, mesmo não sendo vegatariano. Lá tem informações preciosas e atualizadas.

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