ALERTA: Uma a cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

Tudo sobre hepatite C



Veja a versão completa do filme Hepatite C, Sem Medo no canal Animando-C no Youtube: www.youtube.com/animandoc


O que é?

Chamamos comumente de hepatite C a forma de hepatite viral causada pelo VHC ou, em inglês, HCV.

É uma doença grave, responsável pela maior parte dos transplantes de fígado no Brasil e também por um crescente número de mortes no mundo inteiro.

Dizem que o que mata não é a hepatite C, mas suas complicações. O vírus vai atacando o fígado e fazendo com que ele perca as suas funções. Muitos infectados desenvolvem cirrose e câncer hepático. Você que não liga muito para o seu e que mal sabe para que ele serve, deveria ler o post: Você tem fígado?.

Quais os sintomas?

Apesar da gravidade da doença, a maior parte das pessoas infectadas com hepatite C não apresenta sintoma algum. Por isso, ela é chamada de "assassina silenciosa". O fígado vai sendo prejudicado aos poucos, o que pode levar anos, ou até décadas. Eu levei 20 anos para descobrir que estava infectada. E minha história não é uma exceção.

As pessoas relacionam hepatite à icterícia (pele e olhos amarelos), como podemos ver o tempo todo em piadinhas no Twitter.



Mas a maior parte dos portadores de hepatite C não são amarelos e não tem nenhum outro sintoma. O problema é que quando os sintomas aparecem, pode ser que o prejuízo no fígado já esteja grande e não reste muita coisa a fazer. Aí está a importância de se descobrir a doença precocemente, fazer o tratamento direitinho e tomar os cuidados de preveção para não infectar outras pessoas.

Não pense que se você não tem sintoma, então está tudo bem. Minha amiga Fátima descobriu a hepatite C em exames pré-operatórios e, quando fez a biópsia (no mesmo dia que eu), descobriu que já tinha cirrose. Atentem que ela nunca teve sintoma algum. Descobriu por mero acaso (se bem que, para os espíritas, o acaso não existe).

Como se pega Hepatite C?

Especialmente pelo sangue contaminado. Existem muitas situações em que, sem percebermos, podemos compartilhar sangue com outras pessoas. Por exemplo:

  • Quantas mulheres levam seu próprio kit de instrumentos à manicure? Quantas se enganam achando que a estufa utilizada nos salões a protegem? E não é só o alicate, não: o que dizer daquele pauzinho com que é retirado o excesso do esmalte? Saiba mais: Hepatite no salão de beleza
  • Você que já fez tatuagem: tem certeza absoluta que o tatuador realizou os procedimentos corretos de esterilização? Leia notícia da Revista Veja de 07 de agosto de 2010:Tatuagens podem aumentar o risco de contrair hepatite C. Por que você acha que não se pode doar sangue meses após ter realizado tatuagem ou colocado piercings? Você acha que os bancos de sangue estão numa situação tão confortável que podem se dar ao luxo de recusar sangue sem ter uma causa justa? Essa é a provável forma que a bela Pâmela Anderson foi infectada, após compartilhar agulha de tatuagem com o marido.
  • Quando você era criança, tomou vacina de pistola? Lembra daquela fila de crianças sendo furadas com a mesma agulha? Ah, você acha que criança não tem hepatite C? Infelizmente, muitas foram contaminadas em transfusões de sangue logo ao nascerem, como minha amiga Cris. Você tem certeza que não era ela antes de você na fila?
  • Você que tem mais de 40 anos, já foi na farmácia fazer uma injeção? Lembra que as injeções eram de vidro e não descartáveis? Minha dinda, asmática, provavelmente foi infectada pela hepatite C assim.
  • Endoscopia: numa palestra do Hemocentro no início de 2010, fiquei sabendo que se você realizou endoscopia recente também não pode doar sangue. O motivo seria o mesmo da tatuagem: existe o risco de infecção e, por causa da janela imunológica, o vírus não apareceria no exame nos primeiros meses.
  • Dentista, limpeza de pele... tudo sangra, né? Em princípio, supõe-se que esses profissionais utilizem os procedimentos de esterilização adequados. Supõe-se.

A Dra Diana Sylvestre diz:


"Quando me deparo com pessoas que dizem que não fazem parte de um grupo de risco para hepatite C, me pergunto: 'De que planeta você é?'"
In: Lawford, Christopher Keneddy e Sylvestre, Diana. C sua vida mudasse. Manole, 2010


Pois bem, você deve ter visto que não podemos falar em grupo de risco, porque o risco está aí praticamente pra todo mundo. Mas existe um grupo de maior prevalência. Se você se enquadra em qualquer uma das situações abaixo, deveria fazer o exame:

  • Pessoas submetidas a transfusões de sangue antes de 1993.
    Antes disso, as bolsas de sangue não eram testadas. 
  • Filhos de mães portadoras do vírus da hepatite C.
    Pode ocorrer a transmissão no momento do parto, embora a chance seja bem pequena. Observação: o vírus da hepatite C não é transmitido pela amamentação.
  • Pessoas que fizeram uso de drogas injetáveis ou inaláveis, mesmo que tenha sido apenas uma vez na vida. 
  • Pessoas que fazem/fizeram hemodiálise.  
A pergunta que não quer calar: vocês viram acima alguma coisa que relaciona a hepatite C a uma doença sexualmente transmissível? Não, porque não é.

Segundo carta da Sociedade Brasileira de Hepatologia à imprensa, datada de 30 de junho de 2010: "A hepatite C não pode ser considerada uma doença sexualmente transmissível a luz dos conhecimentos científicos atuais".



As pesquisas mostram que a incidência de infecção do(a) companheiro(a) de algum portador de hepatite C é pequena. Resultados de um estudo publicado em julho de 2010 mostram que na relação heterossexual* regular de um casal estável não existe maior risco da transmissão sexual da hepatite C. O risco de infecção pode aumentar em pessoas com múltiplos parceiros, porém esta associação pode estar afetada pelo fato de nesse grupo existir uma maior probabilidade de utilização de drogas injetáveis, o que dificulta atribuir a maior incidência somente ao número de parceiros sexuais. Leia a matéria completa no site do Grupo Otimismo: A transmissão sexual é um modo importante de transmissão da hepatite C?


* Outro estudo já mostrou que homens homossexuais não possuem maior probabilidade de serem infectados por causa do sexo anal, dependendo para isso da ocorrência de fissuras. 

A transmissão sexual da hepatite C é uma questão controversa. Leia mais aqui no blog:
Telefone-sem-fio da Hepatite C
Hepatite C é uma doença sexualmente transmissível?

Em junho de 2010, a Folha de São Paulo publicou uma reportagem polêmica intitulada: "Hepatite C é ligada a jovens que fazem sexo com muitas pessoas", que gerou grande repercussão entre os envolvidos com o tema. Especialistas condenaram a forma como o estudo foi conduzido e o meio sensacionalista usado para divulgá-lo na mídia. Veja aqui entrevista coordenada pela Sociedade Brasileira de Hepatologia, na qual dez especialistas - do Brasil e internacionais - comentam a matéria da Folha.

Está tranquilo porque descobriu que é difícil pegar hepatite C por via sexual? Então experimente sair por aí transando sem preservativo pra ver o que te acontece... fica esperto!

Observação: A hepatite B, além de transmitida pelo sangue, também é sexualmente transmissível (mais facilmente que o HIV).


Quer saber mais sobre a trasmissão da hepatite C? Veja aqui alguns trechos dos livros "Convivendo com a Hepatite C" e "A Cura da Hepatite C", de Carlos Varaldo.

Hepatite C tem cura?

Sim! O tratamento é feito com remédios quimioterápicos (injeção e comprimidos) e sua duração depende do genótipo do vírus (de 6 meses a 1 ano - no caso de pessoas que respondem lentamente ao medicamento, pode durar um ano e meio). São muitos os efeitos colaterais, que variam de pessoa para pessoa. Aqui no blog, compartilho em vários posts os efeitos que tive durante o tratamento.

Meu médico diz: "você não deve ter medo do tratamento, mas do vírus"
Bom, confesso que o tratamento é bem chato, mas a gente sobrevive. Eu, inclusive, continuei trabalhando durante esse período.

Se fiquei curada? Não, como 50% das pessoas que se submetem ao tratamento.
Mas a indústria farmacêutica está investindo muito em pesquisas. Até 2012, novos medicamentos serão lançados - e é isso o que estou esperando ansiosa!

Como descubro se tenho hepatite C?

O vírus é identificado num exame específico. Se você está tranquilo porque faz exames de rotina periodicamente e nunca apareceu hepatite, saiba que se seu médico não pedir o Anti-HCV, ele não aparece mesmo. A maior parte dos planos de saúde cobre esse exame, que também pode ser feito pelo SUS. Aqui em Brasília, você pode fazê-lo gratuitamente e anonimamente no Centro de Testagem (CTA) da Rodoviária do Plano Piloto.

Aproveite também para fazer os exames da hepatite B. 
Veja aqui relação de locais onde você pode fazer gratuitamente o teste das hepatites B e C.


E se der positivo?

Algumas dicas: Meu exame de hepatite C deu positivo. E agora?



Incidência

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que uma a cada 12 pessoas no mundo estão infectadas com os vírus da hepatite B ou C. Para a OMS, no Brasil teríamos de 3,5 a 4 milhões de infectados com hepatite C.

O Ministério da Saúde contesta esses números, informando em carta ao Grupo Otimismo, datada de 4 de agosto de 2010, que a prevalência no Brasil seria de 1,3% da população, ou seja, "o número de infectados no país não ultrapassaria 1 milhão na população entre 15 a 49 anos"

Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo, rebate que é errôneo considerarmos os infectados apenas entre 15 e 49 anos, quando é sabido que a maior parte das infecções com hepatite C se deram em pessoas adolescentes ou adultas nas décadas de 70 ou 80, que possuem hoje acima de 45 anos. Além disso, 1,3% da população brasileira corresponde a 2,5 milhões de pessoas e não 1 milhão como colocado pelo MS.

Varaldo vai além, analisando números do próprio Ministério da Saúde, resultantes de inquérito nacional realizado com indivíduos de 20 a 69 anos e divulgado em 28 de julho de 2010: "foram encontrados 1,61% de infectados no Nordeste; 1,81% no Centro-Oeste; 0,69% no DF; 1,79% no Sudeste e, 1,94% na região Sul. A média, de aproximadamente 1,8% no total do Brasil, corresponde aos 3,5 milhões de infectados".

Observação: Diante da divulgação desses números, a partir de agora começo a considerar aqui no blog o número de 3,5 milhões de infectados e não mais 4 milhões, como fazia até então.

Pra se ter uma ideia do número de infectados no Brasil, basta darmos uma olhadinha no que diz a Anvisa: Hepatite faz com que 40% das córneas doadas sejam descartadas. Não é pouca coisa, né?

Mas o mais grave é que, conforme os números oficiais, apenas 1,74% dos indivíduos infectados já foram diagnosticados. Isso quer dizer que 98% dos 3,5 milhões de brasileiros portadores de hepatite C ainda não sabem que estão doentes. Por isso a importância de campanhas de incentivo às pessoas realizarem o exame de detecção da hepatite C.

Como prevenir?

Infelizmente, não existe vacina que previna a hepatite C. Por isso, é importante adotarmos em nosso dia-a-dia hábitos de higiene, que podem nos proteger não só da hepatite mas de muitas outras doenças:


  • Não compartilhe, mesmo em casa, instrumentos que entrem em contato com sangue, como seringas, aparelhos de barbear, tesouras, alicates de cutículas e outros itens de manicure, escova de dentes (sim, quando escovamos os dentes podem ocorrer micro-sangramentos nas gengivas).
  • Preste atenção se os profissionais escolhidos (dentistas, tatuadores e colocadores de piercing, acupunturistas, esteticistas, depiladores, entre outros) adotam as medidas necessárias de esterilização.
  • Embora não seja comprovada a transmissão sexual, se houver feridas ou sangramentos em ambos os parceiros, pode ocorrer contato sanguíneo e, portanto, a transmissão. Por isso, use camisinha.






Atriz Cristiana Oliveira fala sobre a perda da irmã em decorrência da Hepatite C


FONTES DE PESQUISA

Ministério da Saúde: Biblioteca Virtual - hepatites



Uma referência bem completa para consulta
é o site do Grupo Otimismo www.hepato.com.


Dados sobre hepatite C no Brasil: Rádio Câmara - 27/01/2009

Participe de vários Fóruns sobre hepatite C (em inglês)

Entrevista News Channel 8 (USA): Hepatitis Foundation 28/05/2009 (em inglês)