Uma em cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

1º de dezembro - Dia de luta contra a AIDS. Preconceito: você tem certeza que não tem?


Ok, estou uma semana atrasada com este post. Esses dias têm sido tão corridos, que, embora tenha em mente muitas coisas para escrever, falta tempo para transportar as idéias para o Animando-C.

Mesmo que rapidinho, precisava dizer o quanto amei a campanha do Ministério da Saúde nesse Dia Mundial de Luta contra a Aids, da qual faz parte o banner acima.

Criativo, instigante e profundo.

Existe preconceito contra o HIV? E contra a hepatite C?
Sim, e temos que reconhecer que o preconceito não está ali fora, andando pelo corredor.
Ele está dentro da gente.

Confesso que, em momento de crise no casamento, cheguei a pensar que, se tivesse que me separar, teria que ter consciência de que era pra ficar sozinha pro resto da vida. Afinal, quem ia querer um "amor-problema"? Na época, não me convenceram argumentações do tipo: "conheço pessoas que têm HIV e namoram normalmente, mesmo com pessoas não infectadas" ou "o ser humano é muito solidário" (até porque, nessa hora, não estaria atrás de caridade).
Argumentos racionais não funcionam nesse caso, simplesmente porque é um sentimento e, como tal, não é racional.

Para refletir: onde estaria o preconceito nesse exemplo, senão dentro de mim mesma???

Passemos às próximas perguntas inconvenientes (pode responder com sinceridade, ninguém está lendo seu pensamento):

- Você começaria um relacionamento amoroso com uma pessoa que tem HIV ou hepatite?
- Você não se importaria se seu filho/filha começasse a namorar alguém com HIV ou hepatite?

Se viver com preconceito não é possível,
que tal começarmos a rever os nossos próprios preconceitos?

O vídeo acima foi motivo de polêmica. O que você acha?

Conheça também a dimensão interativa da campanha:

terça-feira, 24 de novembro de 2009

VIII Encontro Nacional de ONGs de Hepatites Virais (ENONG) - Brasília 2009

De hoje a 26 de novembro, acontece aqui em Brasília o VIII ENONG - Encontro Nacional de ONGs de Hepatites Virais, no Phenícia Bittar Hotel.

Não podia deixar de dar uma passadinha por lá, embora minhas atividades profissionais me impeçam de participar efetivamente. Consegui assistir a uma das mesas redondas do dia e compartilho com vocês as minhas percepções.

Em primeiro lugar, preciso confessar que fiquei um pouco emocionada por estar lá, porque se tem uma coisa que eu acredito - e muito - é no poder da sociedade civil organizada. Causa impacto ver tantas pessoas comprometidas juntas (ainda mais em se tratando de um tema tão importante em minha vida), num evento muito bem organizado. E, claro, dá um sentimento de conforto ao ver tantas pessoas que partilham dessa luta conosco.


Tive a oportunidade de ouvir a Dra. Mariângela Batista Galvão Simão (Diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais) e o Dr. Ricardo Gadelha de Abreu (Coordenador do Programa Nacional de Hepatites Virais) falando sobre as ações realizadas pelo PNHV em 2009 e planejadas para 2010, assim como sua incorporação ao Departamento de DST e Aids.

Não se pode negar que há bastante coisa já realizada.
Mas também não se pode negar que está longe de ser o suficiente. A mim parece que as ações - sem querer tirar seu mérito - são pontuais e isoladas, faltando uma política pública mais efetiva em relação às hepatites.

No próximo post, escreverei mais sobre as informações trazidas no debate.






Da esquerda para a direita: Eu, Dra. Mariângela Batista Galvão Simão, Nádia Elizabeth (Hepatchê Vida) e Dr. Ricardo Gadelha de Abreu.







Quero agradecer o carinhoso convite para esse evento feito pela Nádia do grupo Hepatchê Vida, de Porto Alegre/RS, reforçado pelo Fernando do Grupo Hércules Doações e Transplantes, de Blumenau/SC.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que mudou na minha vida depois que contei que tenho hepatite C ao mundo (literalmente, já que foi pela internet)

Não muita coisa. Eu achava que ia ficar estigmatizada, que as pessoas iam se referir a mim como "aquela da hepatite C", que alguns iam ficar com pena e outros iam ter preconceito.

Não sinto que essas coisas tenham acontecido. As pessoas continuam me tratando da mesma forma, como a amiga querida, a mãe dedicada, a profissional que se envolve com o trabalho mais do que muitas vezes deveria, a chata certinha etc.
E as pessoas que não gostavam de mim? Continuam não gostando.

Diga-se de passagem, teve gente que não teve a mínima pena de me puxar o tapete quando eu estava em pleno tratamento, super debilitada. Olhando por outro ângulo, isso até pode ser um bom sinal: não quero ser tratada com diferença, nem vista como doente.

Eu não sou doente. Falando francamente: não me sinto doente, não tenho sintomas de doença, tenho uma excelente qualidade de vida, uma família linda, um bom trabalho e sou muito feliz. Definitivamente, não sou uma pessoa por quem se deva sentir pena.

Tive a infelicidade de ter sido contaminada com o vírus da hepatite C quando ainda era criança e por isso preciso tomar cuidados com o meu fígado (não que todas as pessoas não devam ter esse cuidado também...), fazer acompanhamento com um bom especialista e ter fé.

Fé na evolução da ciência, nos novos medicamentos que estão sendo pesquisados, na cura.

Se eu não tenho medo?
É claro que tenho!!! Minha filha tem dois anos e quero vê-la crescer!

Se quero sofrer de novo todos os efeitos colaterais do tratamento?
Não... e sim, porque se é esse o meio que tenho para eliminar o vírus do meu organismo, passo por ele quantas vezes forem necessárias (mas espero, sinceramente, que a próxima seja a última, porque ninguém merece!).

Acho que algumas pessoas (poucas, felizmente) tem preconceito sim. Mas é, como em qualquer tipo de preconceito, pura ignorância. Eu já disse, e repito, que não pretendo doar sangue pra ninguém. Então, não precisa ter medo de mim, ok? (rs)

O meu recado pra quem também tem esse vírus ou qualquer outro problema de saúde: mantenha o ânimo e procure ser feliz a cada dia. E pra quem não tem: mantenha o ânimo e procure ser feliz a cada dia - porque cada um tem os seus "monstrinhos", sejam em forma de vírus ou não.


Ajude a divulgar a hepatite C, uma doença grave que atinge 4 milhões de brasileiros, sendo que 95% não sabem que estão contaminados.
Não custa fazer o exame.
O que custa (e MUITO caro) é deixar o vírus ir lentamente (e silenciosamente) acabando com seu fígado.