Uma em cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

sábado, 28 de julho de 2012

Dia Mundial da Hepatite 2012

Hoje, 28 de julho, é o dia mundial de luta contra as hepatites virais.

Mais do que a luta diária de quem convive com a doença, é fundamental a luta para quebrar o silêncio existente em torno dela: as pessoas precisam saber que as hepatites estão muito mais perto do que elas pensam.



A hepatite pode estar ao lado... e também pode estar conosco, sem que sequer imaginemos isso. Uma vez que, na maior parte dos casos, as hepatites B e C não possuem sintomas, 95% dos infectados ainda não conhecem seu diagnóstico.  

Esse é o tema da campanha da Aliança Mundial das Hepatites para o Dia Mundial da Hepatite 2012.
Assista o vídeo e reflita: 


domingo, 8 de julho de 2012

Resignificando a existência

"É lindo ver quando alguém é capaz de resignificar sua existência."
Foi essa a frase que ouvi em minha última sessão de terapia, quando recebi alta há duas semanas. Havia iniciado o acompanhamento com a psicóloga ao começar o tratamento da hepatite C em 2008. Meu receio era o efeito colateral da depressão, considerando ter histórico anterior. 

Pode haver coisas belas mesmo quando começa a escurecer

Felizmente, a depressão não apareceu, mas continuei a terapia durante a recuperação, seguida da minha separação e depois de muitas mudanças. Foi um processo de auto-conhecimento e crescimento pessoal.

O balanço que fizemos naquela última sessão foi muito rico: fiquei orgulhosa de mim ao perceber de forma tão explícita a maturidade com que tenho conseguido me posicionar diante das coisas da vida. 

O mais interessante foi a reflexão verbalizada pela psicóloga de como a hepatite C foi central em tantas mudanças positivas que operei em mim e na minha relação com pessoas, fatos e situações. Eu já havia identificado isso, inclusive constatando que sou muito mais feliz hoje do que antes de descobrir a hepatite. 

Parece loucura pra vocês? Não estou dizendo que sou feliz por ter hepatite C, mas sim que na convivência com a doença consegui me tornar uma pessoa melhor e ter mais qualidade de vida. Essa é a verdade, por mais contraditório que possa parecer. 

Agora, Papai do Céu, acho que já avancei bastante, né? Já posso ficar curada? ;) 


A propósito, perguntei à psicóloga se ela tinha certeza que me daria alta depois de tudo que contei sobre meu fim-de-semana com os New Kids on the Block. Duas semanas antes, havia estado em São Paulo para o melhor show da minha vida e tido a oportunidade de encontrar com meus ídolos, tirar foto e tudo mais que uma fã tem direito. Ela respondeu, brincando: "esse ponto específico não tem cura, então não há como eu possa ajudar." Verdade!!! #feliz




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Maio e hepatites: mês de luta, mês de luto

Há 10 anos, o mês de maio marca a luta pela conscientização nas hepatites. A partir de agora, marca também o luto pela perda de uma pessoa muito amada do movimento: na madrugada de ontem, faleceu nosso amigo Fernando Cezar P. Santos, presidente do Grupo Hércules de Santa Catarina. 

[Meu Deus, nos 3 anos de Animando-C, este está sendo o post mais difícil de escrever...]

Novembro de 2010

Quem acompanha este blog há mais tempo, já viu o Fernando citado por aqui muitas vezes, como em IX Encontro Nacional de ONGs de Hepatites Virais (ENONG) - Brasília 2010.        

Se hoje as lágrimas não cessam, é pelo amigo mais que querido, companheiro de trabalho, parceiro de ideologias e crenças.

É também pelas pessoas que eram alvo do trabalho maravilhoso que ele desenvolvia.

Também por todas as demais vítimas das hepatites B e C, que poderiam ter tido outro destino se tivessem sido diagnosticadas precocemente - o Fernando descobriu a doença quando já havia desenvolvido câncer e precisou submeter-se a um transplante de fígado. Ele nos conta a história da descoberta do tumor no emocionante post: Câncer não começa com C de caixão.

Fernando, de camisa branca, segurando a faixa, à direita.
Juntos na vigília pelas vítimas das hepatites B e C na Catedral de Brasília, em novembro/2010. 

Repito aqui as palavras com que, à distância, participei da cerimônia de cremação, que ocorreu ontem à noite no Crematório Vaticano, em Camboriu/SC:

O mundo amanheceu mais triste hoje, e o céu com mais um anjo.

Todas as lágrimas derramadas por sua perda, querido e prezado Fernando, são a expressão do quanto você é querido e do quanto sentiremos sua ausência.

Você foi e será sempre muito especial. Um exemplo.

Eu tenho uma lista das coisas boas que a hepatite C trouxe para minha vida, que me impedem de desejar nunca tê-la contraído. Você está nela, amigo.

E agora, infelizmente, também está na outra lista: aquela das coisas que a hepatite C me tirou.

Tenha certeza que continuaremos lutando para que essa doença pare de nos tirar pessoas especiais.

À família, desejo conforto para os corações.
Ao pessoal do Grupo Hércules, meu abraço carinhoso.
Contem comigo para o que precisarem.

Hoje me emocionei mais uma vez ao reler o post carinhoso que ele escreveu pra mim em seu blog há um ano e me alegrei por constatar que ele sabia o quanto era estimado por mim.

Aliás, fica a refexão: como estamos tratando as pessoas que amamos? Como estamos aproveitando o tempo que nos é dado com elas?

Como diz a música "Don't cry" do NKOTB:
I learned that it's just not worth fighting over little things
Like when I used to wait all night just to say "I'm sorry, I love you" 
Aprendi que não vale brigar por pequenas coisas
Como quando esperava a noite toda apenas pra dizer "Eu sinto muito, eu te amo"

Chega de esperar a noite toda, gente! Voltando à mesma música: "And if tomorrow never comes at all?" E se o amanhã não vier? 

Brincando com perspectivas, na obra de Escher (CCBB Brasília).
Da esq para dir: Fernando, Amanda (minha filha), Varaldo (Grupo Otimismo) e Raquel (WHA).

Tem razão a amiga Silvia Rinaldi, que falou sobre chorarmos as duas ontem ao telefone: se ele estivesse vendo isso, riria da gente lembrando que a morte não existe, que ele só foi para "o lado de lá", onde vamos nos reencontrar um dia.   

Fique em paz, querido amigo. Você fará muita falta por aqui.

Com carinho,
"Flor do Cerrado"