ALERTA: Uma a cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Celebridades assumem a hepatite C

É grande o número de infectados com as hepatites B e C entre atores, músicos, jogadores de futebol e políticos. Um dos exemplos mais famosos é o da “atriz” e coelhinha da Playboy Pâmela Anderson, infectada ao fazer uma tatuagem junto com o ex-marido, utilizando a mesma agulha. Outra loira famosa é a Flor, do blog Animando-C, que estrela o filme Hepatite C, Sem Medo.

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Pâmela Anderson - Wikimedia Commons
Conheceremos neste post outros casos de famosos que assumiram a hepatite C publicamente.

Veja também: Ídolos do futebol são vítimas da hepatite C



Incidência de hepatite C entre artistas

Diz o senso comum que artistas seriam mais propensos ao uso de drogas devido ao próprio meio em que vivem e até para “liberar a criatividade”, o que lhes deixariam mais vulneráveis à infecção pelos vírus das hepatites por causa do compartilhamento de seringas e cânulos. Não entrarei no mérito de tal afirmação por se tratar de uma premissão bastante questionável, assim como irrelevante para nossa discussão.

O fato é que, celebridades ou não, todos se enquadram na estatística da Organização Mundial da Saúde de que uma a cada 12 pessoas no mundo está provavelmente infectada com uma dessas duas hepatites. A propósito, você que está lendo este post também está dentro dessa estatística, saiba você ou não.

Se o número é assim tão grande, por que não temos notícias disso?


  1. Porque quando uma pessoa pública assume uma doença infecto-contagiosa, muitas vezes torna-se alvo de preconceito, o que pode afetar diretamente a sua imagem. E, como sabemos, artistas vivem da imagem. O preconceito está em todo lugar, inclusive em Hollywood: leia também Hepatite C, preconceito e A Feiticeira.

  2. Porque ainda hoje apenas 5% dos casos de infectados pelas hepatites B e C no mundo já foram diagnosticados. Por ser uma doença sem sintomas, 95% das pessoas que contraíram o vírus há anos (ou até décadas!) ainda não sabe que porta um vírus potencialmente fatal. Por isso a importância de incentivarmos a população que, na próxima consulta, peça ao médico um exame de detecção das hepatites B e C. A propósito, VOCÊ já fez esses exames? Leia também: Hepatite C entre seus amigos e familiares.



Famosos que assumiram a hepatite C

Além de Pâmela Anderson, outras celebridades internacionais assumiram terem contraído o vírus da hepatite C. Vejamos os casos mais conhecidos:


  • Natalie Cole, cantora estadunidense filha do grande músico Nat King Cole, foi infectada na época em que era usuária de drogas. Sua condição de saúde é delicada, tendo sido submetida a um transplante de rim em 2009.


Wikimedia Commons


  • Steven Tyler, do Aerosmith, e Keith Richards, dos Rolling Stones. O primeiro foi submetido à terapia de interferon. O segundo diz ter curado-se da hepatite C espontaneamente. Não há menção oficial sobre a forma de infecção, mas… er… hum… ok, sem especulações.




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Wikimedia Commons



  • O charmoso Chris Lawford Kennedy é sobrinho do ex-presidente estadunidense JFK e ator de Hollywood não tão conhecido no Brasil. É um exemplo a ser seguido, por usar sua fama nos Estados Unidos para divulgar a luta contra a hepatite C. Escreveu o livro C Sua Vida Mudasse, que já foi sugestão de leitura aqui no Animando-C, e faz palestras sobre o assunto. Foi infectado pelo uso de drogas.


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Wikimedia Commons


  • Jim Carroll, escritor, é famoso por seu romance autobiográfico The Basketball Diaries, estrelado no cinema por Leonardo di Caprio. Como a história fala sobre seu vício em heroína, é a provável causa da infecção. Morreu em 2009 de ataque cardíaco.

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Foto: Divulgação


Veja a lista completa de pessoas com hepatite C da Wikipedia.




Personalidades brasileiras com hepatite C

No Brasil, é mais difícil encontrarmos casos oficiais de artistas portadores das hepatites C. Os não-oficiais, logicamente, não serão publicados aqui no blog.


  • Lembram do Pitoco, o assistente de palco da Eliana no programa Eliana & Alegria? Ele sofria de hepatite C e faleceu em 2009, aos 39 anos.


Foto: Divulgação


  • Uma brasileira que usa sua imagem pública na luta contra a hepatite C é Karen Matzenbacher. Se você é gremista (como eu) e acompanhou o nosso bi-campeonato da Libertadores da América (como eu), provavelmente lembrará (como eu) de seu casamento com Jardel na Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Karen parece ser mais conhecida em Portugal do que aqui. Ela foi infectada com a hepatite C quando bebê. Saiba mais nessa reportagem: SOS – A silenciosa e mortal hepatite C.




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  • Veja também o depoimento da atriz Cristiana Oliveira sobre a morte da irmã, em decorrência da hepatite C:







Sinceramente, acho um desperdício que nossos artistas, esportistas e políticos não assumam publicamente a hepatite C. Perdemos, assim, grandes oportunidades de lutar contra a desinformação e o preconceito. Mas, como eu disse várias vezes aqui no blog, trata-se de uma escolha pessoal de cada um, que deve ser respeitada. Leia também: Devo contar que tenho hepatite C?

Conhece mais algum caso oficial de celebridade portadora de hepatite C não citado aqui? Participe do blog compartilhando conosco nos comentários abaixo.

Atualização em 28/04/2011:
Morreu ontem, aos 56 anos, Neusinha Brizola, filha do ex-governador Leonel Brizola, de complicações decorrentes da hepatite C: Neusa Brizola (1954-2011) - Neusinha, filha de Brizola e cantora.

8 comentário(s):

  1. Bom dia Flor,
    Fiquei sabendo do seu blog através de um post feito pelo Max(catablogandosaberes) e não pude deixar de visitar. Parabéns! Minha sincera admiração a você e a sua atitude tão nobre em compartilhar algo tão pessoal em prol de uma causa maior. O mundo precisa de pessoas como você que pensem no próximo e que procurem ajudar sem visar recompensa. Obrigada por contribuir por um mundo melhor. Eu, como cidadã brasileira, fico gratificada de ler "informativos" sob uma ótica como a sua. Bjs

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  2. Olá Flor sou Cris de Santo André - SP, estou tratando a hepatite e divulgo a hepatite c aos poucos em minha vida, procuro informar as pessoas toda vez que tenho oportunidade mas... ainda não coloco fotos minhas e de minha família no orkut e no blog (que criei para compartilhar com pessoas que tem e que tratam a hepatite c)muito menos falo da hepatite em toda a rede social que participo, só mesmo nos que eu criei para tal finalidade. Não sei se eu fosse famosa me identificaria com hepatite c publicamente, depende de como estamos psicológicamente, emocionalmente e dos nossos interesses, nem todas as pessoas são iguais. Eu acho legal sua coragem de mostrar a cara sem medo, um dia eu chego lá. Bjs.

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  3. Oi Flor, e os famosos com hepatite B, não tem nenhum que assumiu, ou ninguém tem ou teve a doença? Será que é mais "feio" assumir o virus B só porque a doença é considerada "sexualmente transmissível"?

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  4. Aninha, te dar os parabéns pelo blog e por todo este trabalho maravilhoso de prevenção e conscientização seria redundante. Mesmo assim, PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS...!

    Beijo e abraço,
    Ana Cecília

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  5. Brenda,
    Que lindas as suas palavras! Muito obrigada por elas e também pela visita.

    Cris,
    Sinceramente, também não sei se eu contaria ter hepatite C se fosse famosa. Como saber o quanto isso impactaria na carreira, considerando a sociedade preconceituosa na qual vivemos?
    Quanto a nós, simples mortais (rs), já escrevi algumas vezes sobre isso, como aqui: Devo contar que tenho hepatite C?
    Em suma, ninguém é obrigado a contar. Devemos fazer o que nos faz sentir melhor. Se sua decisão é manter sigilo, eu dou o maior apoio! Além de você e das pessoas próximas, ninguém tem nada a ver com isso, né?

    Anônimo,
    Ótima reflexão! Na verdade, você deve ter visto que no Brasil não se assume a hepatite C também. Mas eu acredito que sim: o "peso" da hepatite B parece ser um pouco maior por ser uma doença sexualmente transmissível. Isso é bem justificável, já que ninguém faz sexo em nossa sociedade. #ironia

    Ana Cecília,
    Querida Ana, "Amiga das Palavras", obrigada pela visita e pelo apoio de sempre. =)

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  6. Pois é Ana, eu tive somente um parceiro sexual a vida toda e ele não tem hepatite B. Nunca usei drogas mas tenho o virus B. Exerço um cargo público de alto escalão e não sei se por isso, quando consultei o melhor infectologista da cidade, ele ficou espantado quando revelei qual era a razão de eu estar ali. Chegou a perguntar qual foi a reação dos meus pais e de meus outros familiares quando souberam da minha condição de portadora do virus B. Não entendi a pergunta, mas respondi que meus pais ficaram apreensivos porque antes nunca tinham ouvido falar dessa doença. E só. Esse assunto só vem à tona na minha família quando chega a época de fazer os exames de controle da doença.Na verdade, meu únicos "pecados" (IRONIA) foram ter feito as unhas algumas vezes na vida sem meus próprios utensílios, bem como não ter escovado os dentes direito quando pequena, motivando várias idas ao dentista. O fato é que, pelo que eu percebi, até o infectologista, mesmo sabendo que os virus são seres sem preconceito, é preconceituoso. Porque razão eu não poderia ter sido infectada pelo virus B? Porque sou monogâmica, hetero e exerço um cargo público? E mesmo que eu tivesse me contaminado em uma relação sexual isso não faria de mim pior nem melhor. Foi uma fatalidade. Minha grande sorte é que meu marido nunca esboçou qualquer traço de preconceito nem desconfiança contra mim. Ele costuma dizer que só se lembra que eu tenho esse virus quando eu mesma toco no assunto, já que para ele isso não faz a menor diferença no relacionamento. Só que nunca, mas nunca mesmo conheci ninguém na mesma situação que eu. Isso é ruim porque não posso trocar experiências e às vezes tenho a impressão que sou a unica "premiada" do Brasil. Se a cada 12, um tem o B ou o C então eu não sou o único numero 12 né?

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  7. estou com muito medo! socorro!!!!!!!!!!!!!

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  8. Anônima 6,
    Realmente, o preconceito é triste. Sua história mostra como a ignorância está presente em nossas relações sociais, inclusive nos médicos. Por outro lado, mostra como o ser humano pode ser inteligente e sensível, como o exemplo de seu marido.

    Qualquer um de nós pode ser infectado pelas hepatites B ou C, não há grupos de risco: todos somos vulneráveis.

    Para mim, não faz diferença como a pessoa pegou. Não é pecado ser infectado sexualmente, afinal, qual será o hipócrita que dirá que nunca faz sexo ou que nunca deu uma escorregadela nos cuidados na vida? E sexo por acaso é pecado? Não é algo natural?

    Mesmo as pessoas casadas podem ser infectadas, até porque, como você mesma disse, existem várias formas de contágio, como instrumentos não esterilizados na manicure e dentista.

    Não, eu e você não somos as únicas número 12. E precisamos muito encontrar os outros por aí, para dar a eles a chance de se cuidarem.

    Obrigada pelo comentário!


    Anônimo 7,
    Como eu posso te ajudar? Escreve pra mim pelo formulário de contatos do blog. Um abraço!

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