Uma em cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

domingo, 29 de abril de 2012

Fibroscan na hepatite C

Portadores de hepatite C crônica devem, regularmente, medir o grau de fibrose no fígado para acompanhar a progressão da doença. Com base nesse resultado, tem-se a indicação ou não para o tratamento da hepatite: no Brasil, são contemplados pelo protocolo do SUS os portadores que tenham grau de fibrose F2 ou maior - a escala vai até F4, que corresponde à cirrose. Ou seja, se seu resultado for inferior a F2, não é necessário realizar o tratamento ainda - o que é motivo de comemoração, porque quer dizer que seu fígado ainda está sadio e que você pode esperar o lançamento de medicamentos menos agressivos, que já se encontram em testes.

Leia também:

Até o ano passado, a única forma de verificarmos o grau de fibrose do fígado era a biópsia hepática - exame geralmente temido pelos pacientes por se tratar de uma técnica invasiva e com alguns riscos, como o de perfuração de outros órgãos acidentalmente.  

A partir de 2011, já podemos realizar no Brasil* a elastografia hepática por meio de um aparelho chamado Fibroscan, aprovado pela Anvisa. Estudos mostram que o grau de confiabilidade desse exame na medição da fibrose é muito alto (já na verificação da esteatose - gordura no fígado - os testes ainda não foram conclusivos). 

* Como a elastografia transitória ainda não está disponível pelo SUS, apenas os brasileiros que têm condições de arcar com custos de R$ 1.300,00 a R$ 2.000,00 podem realizá-lo por enquanto. Como o aparelho é muito caro (em torno de 80 mil euros, ou seja, aproximadamente R$ 200 mil), poucas clínicas oferecem o exame no Brasil: veja aqui onde você encontra o Fibroscan em nosso país.



Como funciona o Fibroscan?

Sem agulha, sem dor, sem riscos. O exame é similar a uma ultrasonografia, em que ondas são enviadas pelo fígado e faz-se a medição de quanto tempo elas levam para atravessá-lo. Explicando de uma forma simplista: quanto mais molinho o fígado estiver, mais saudável e mais tempo as ondas levarão para percorrê-lo; quanto mais fibroses, mais duro estará o órgão e assim as ondas o percorrerão mais rapidamente. 

O exame é muito rápido, levando em média 15 minutos. Ao final, o resultado é mostrado na hora, em números: 
  • de 0 a 10 - fígado sadio
  • de 10 a 40 - diferentes graus de fibrose
  • acima de 40 - cirrose 

Minha experiência

Realizei o exame há duas semanas na clínica Pró-Fígado, em São Paulo. O Dr. Hoel Sette, hepatologista que dirige a clínica e médico que realizou meu exame, é um excelente profissional na área das hepatites, atuando também em transplante de fígado. Ele possui uma característica que considero muito importante: paciência e disponibilidade para explicar para pacientes curiosas, como eu, tudo sobre o exame. 

Foi realmente muito tranquilo. A única coisa que sentimos na hora são batidinhas de leve onde o equipamento é posicionado (veja nas fotos abaixo). Então, se você puder arcar com os custos do exame, recomendo. Vale até fazer uma vaquinha com os parentes e amigos para ajudar com as despesas, inclusive da viagem, se não houver uma clínica onde você mora. 




É claro que a última palavra é sempre do seu médico assistente: é ele quem decide se o Fibroscan poderá substituir a biópsia em seu caso. Isso porque, apesar dos estudos mostrarem a confiabilidade do exame, em alguns casos a biópsia pode ainda ser necessária, conforme publicado pelo Grupo Otimismo neste mês - veja aqui.

Mas os leitores que acompanham esse blog há algum tempo devem estar se perguntando: e o resultado?
O resultado do meu exame, meus amigos, foi a melhor parte: 5,9 - ou seja: fígado sadio, equivalente a F0/F1. "Fígado de bebê", como escrevi aos familiares e amigos na mensagem que mandei do consultório mesmo, ainda com lágrimas nos olhos.  



Fiquei muito emocionada pela regressão da fibrose, que suponho se dever ao período de tratamento em 2008/2009 - em que a baixa na carga viral, mesmo sem negativação, implica menor agressão ao fígado -,  também ao meu estilo de vida (cuidado com a alimentação, exercícios físicos e fuga do stress sempre que possível) e, claro, a Deus acima de tudo. 

Isso significa que não tenho indicação para retratamento por enquanto e posso continuar levando minha vida normalmente. A propósito, vocês já viram no outro blog o que eu ando aprontando? Dê uma passadinha por lá e veja as fotos e vídeo da minha aventura nas cavernas de Terra Ronca. Isso é para lembrar que a hepatite C é grave, inspira cuidados, mas que a vida é boa demais para que a desperdicemos lastimando termos sido infectados. Carpe diem!



Curiosidade: a técnica da elastografia transitória foi inicialmente desenvolvida para verificar a qualidade de queijos brie, sendo posteriormente transposta pelos pesquisadores para o uso humano na medição da fibrose hepática. 

Onde fazer o Fibroscan no Brasil?

Fibroscan é o aparelho no qual realizamos o exame elastografia transitória hepática, que mede a fibrose do fígado de forma não invasiva, substituindo a biópsia hepática. Confira abaixo os lugares em que o exame é realizado no Brasil. 

Momento em que eu realizava o exame, em abril de 2012.

Leia também neste blog: 

São Paulo

  • Pró-Fígado Dr. Hoel Sette Rua Mato Grosso, 306 - Conjunto 810 - Higienópolis São Paulo
    (11) 2114 6077
    Site Pró-Figado
    Esta foi a clínica em que realizei o exame. Recomendo!
  • Centro de Genomas Laboratório Rua Leandro Dupre, 967 - CEP 04025-014 - São Paulo/SP
    (11) 5079-9593  
    Site Centro de Genomas

Rio de Janeiro

  • Hepatoscan Centro Médico Real Grandeza
    Rua Real Grandeza 108 – sala 118
    Botafogo - Rio de Janeiro
    (21)  2246-4601 e 9644-6938
    Site Hepatoscan
    email: contato@hepatoscan.com.br 
  • Hospital Universitário Pedro Ernesto Boul 28 Setembro, 77 - Vila Isabel  Rio de Janeiro
    (21) 2587-6100

Belo Horizonte

  • Hepscan
    Av. Luiz Paulo Franco, 500 - loja 11/ Piso 2P - Belvedere - Belo Horizonte - MG
    (31) 3286-3223
    email: clinicahepscan@gmail.com
    Site Hepscan

Belém do Pará

* Fazem elastografia hepática pelo método ARFI - Aparelho Siemens S2000.


Se você conhece mais algum local que realiza esse exame e não está listado, por favor compartilhe conosco nos comentários abaixo. 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A depressão e a hepatite C

Desconheço pesquisas que façam uma relação direta entre a ação do vírus da hepatite C no organismo e a depressão. O que a literatura mostra é que a depressão é um dos possíveis efeitos colaterais do tratamento da hepatite C com interferon e ribavirina.

Imagem: Flickr CC - cena do filme V.I.D.A


É importante frisar a palavra "possível", para que as pessoas saibam que devem estar atentas aos sintomas da depressão e relatar ao médico caso eles ocorram. Assim, ele avaliará a necessidade de introdução de um anti-depressivo no tratamento. No entanto, isso não quer dizer que a pessoa irá necessariamente desenvolver um quadro depressivo nessa situação. O meu caso é um exemplo: mesmo com histórico anterior de depressão, eu não apresentei esse problema durante o tratamento.  

Existem outras possibilidades de associação da depressão à hepatite C. Uma delas é a pessoa já apresentar um quadro de depressão, independente da hepatite C. Outra é o desenvolvimento da doença - sim, lembrem-se que depressão é uma doença e não frescura ou fraqueza! - quando se descobre portador do virus e passa a ter conhecimento de todas as coisas que o vírus pode comprometer em sua saúde. Não é fácil mesmo e cada um lida com essa descoberta - ou melhor, digere essa descoberta - a seu modo.

Mas fiquemos atentos: uma coisa é a tristeza e até o desespero quando nos deparamos com um fato às vezes tão chocante em nossas vidas. Isso é normal e durará um tempo para cada pessoa. Outra coisa é entrar em depressão.

Como saber se estamos na segunda opção?
Leia sobre o assunto em sites especializados na internet e no livro disponível para download abaixo.
Considere também procurar um psicólogo, mesmo que seja apenas por um tempo. Não, não é vergonha alguma! Psicólogo não é coisa de maluco e sim de pessoas auto-críticas que buscam auto-conhecimento para lidar da melhor forma possível com as suas relações - com pessoas e situações.

Eu faço terapia há muito tempo - parei algumas vezes e depois algum fato me fez retornar. A última vez que voltei foi em 2008, ao iniciar o tratamento da hepatite C, e estou indo até hoje. Adoro, embora seja meio dolorido às vezes mexer com coisas internas da gente. Percebo nesse processo o quanto tenho caminhado e o quanto ainda é preciso percorrer.


Existe vida durante e após a depressão


Em 2002, aos 24 anos de idade, eu começava a sair de um quadro depressivo. Com histórico familiar de depressão, eu comecei a apresentar alguns sintomas com 16 anos, que se agravaram aos 23, após uma mudança na vida.

Fiz terapia e tomei anti-depressivos por dois anos. Hoje posso dizer que estou totalmente curada e que a depressão não faz mais parte da minha vida. Tanto que, como contei a vocês, não tive recaídas durante o tratamento da hepatite C, como eu temia que poderia acontecer.

Naquela época (2002), tive a vontade de compartilhar com as pessoas um pouco daquele meu processo de descoberta que existia vida durante e após a depressão. Por experiência própria, eu sabia que não adiantaria simplesmente dizer isso: quando se está deprimido, é até irritante quando nos falam uma coisa dessas - como nos canta Renato Russo na música Via Láctea:

"Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz
Mas não me diga isso"

Então, resolvi colocar tudo isso num romance. A personagem principal, Maria Cristina, tem uma vida bem diferente da minha naquela época e viveu coisas que eu não vivi - as quais tomei emprestadas da história de outras pessoas. Mas os sentimentos dela eram muito meus. Inclusive, algumas partes do "Diário de Cristina" foram retiradas do meu próprio diário.

Assim nasceu o livro Existe vida durante e após a depressão, que fiquei muito feliz em reencontrar hoje nos arquivos de backup de um antigo computador. Disponibilizo-o para download gratuito abaixo.

Conto um pouquinho mais da história desse livro no meu blog Apenas Mulheres de Verdade. Se quiser, dê uma passadinha por lá.

Espero que gostem e que seja útil de alguma forma.



Existe vida durante e após a depressão
Escrito por Ana Barcellos
Brasília, 2002 (25 páginas)