Uma em cada 12 pessoas no mundo pode ter hepatite B ou C, sem saber. Não há sintomas e o vírus não é detectado em exames de rotina. Tem certeza que você não tem? Faça o exame, é gratuito.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sua chance de ser UM em CEM MIL #doemedula

Se ela foi derrotada pela leucemia? Impossível associar a palavra derrota à Mariana Cuervo, gaúcha de 27 anos, que há dois lutava contra a doença. Junto com a família, ela mobilizou milhares de pessoas com a campanha “Todos por um”, incentivando a doação de medula.


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“A reunião chegou ao fim. A proposta foi muito boa e a Mari decidiu que era hora de ir. Virou anjinho às 7hs da manhã e foi correndo pro céu”. @TODOS_POR_UM

Assim foi dada a notícia do falecimento da Mariana ontem no Twitter.

Se a luta foi em vão? Quero contar uma coisa a vocês: infelizmente, não foi encontrada uma medula compatível com a de Mariana, mas sua campanha mobilizou milhares de pessoas a realizarem o exame de sangue para teste de compatibilidade de medula. Só em Porto Alegre, foram 16 mil coletas em 4 meses! Com isso, seis pessoas que aguardavam o transplante de medula já encontraram doadores compatíveis. E sabe-se lá quantas ainda encontrarão!

“A Mari sempre dizia que qualquer medula que fosse encontrada seria como se fosse para ela. Isso basta para sabermos que funcionou”
, falou o marido da jovem e idealizador da campanha, Thiago Eidt, para a Gazeta do Sul.


Você sabia?

Que a chance de encontrar uma medula compatível é de UMA em CEM MIL? 
Que existem milhares de pessoas esperando um doador, inclusíve muitas crianças?
Que a SUA medula pode ser compatível com uma delas?


Não olhe pro lado, não: é com você mesmo que estou falando. Você já foi ao Hemocentro deixar 5 míseros mililitros de seu sangue para o teste de compatibilidade? Sinceramente, o medo de agulha e a falta de tempo não são desculpas muito justas nesse caso.


Como me tornar doador de medula óssea?

Veja aqui o simples passo-a-passo para tornar-se um doador de medula.


Tantas e tantas Marianas agradecem…
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Foto de divulgação - fonte: Gazeta do Sul

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Relacionamentos, hepatite C, HIV: em que hora contar?

Eis uma questão tão delicada quanto controversa: você tem uma doença infecciosa e está começando um relacionamento com alguém.
Pode ser uma relação casual, de uma noite; pode ser um relacionamento duradouro, de uma vida. O fato é que, nesse momento inicial, nem sempre se distingue uma coisa da outra.

Jogo de sedução: olhares, gestos.
Beijos ardentes, mãos percorrendo corpos, corpos invadindo mentes.
Sede, desejo incontrolável. Brincando de tatear limites, de avançar limites, de derrubar limites. Limites? Vão ficando pelo caminho, junto com cada peça de roupa jogada ao chão. Respiração, cheiros, gostos. Desejo.

Definitivamente, este não é o melhor momento de contar.

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Francesco Hayez - Domínio Público

Nada mais óbvio do que começarmos do princípio: você tem mesmo a obrigação de contar? Não, não tem.

Imagino que alguns leitores, provavelmente aqueles com sorologia negativa, devam estar questinando essa afirmação. Como não tem a obrigação de contar? O outro tem o direito de saber e decidir se quer correr o risco!

Aí está o cerne da questão: risco. Ninguém tem a obrigação de contar que tem essas doenças, mas TEM A OBRIGAÇÃO de tomar TODOS os cuidados necessários para que não haja riscos. E, não os havendo, a questão do direito de decisão de corrê-los perde o sentido.

Pausa para lembrar que a hepatite C não é considerada uma doença sexualmente transmissível mas que, em alguns casos raros, a infecção pode dar-se por essa via.  Saiba mais em:

Ouvi alguém aí falar sobre obrigação moral? Sim, chegamos então a outro ponto chave. Revelar ou não é uma decisão de foro íntimo.

Se a relação evoluir, tornar-se mais séria, uma hora ou outra você precisará contar. Porque não dá pra construir uma relação sólida sem honestidade e cumplicidade, não é mesmo? E aí, se você não contou no início, terá um problema agora: como contar?

Como contar para aquela pessoa que você ama que você omitiu dela algo tão sério? Coragem, cadê você? E o medo da pessoa sentir-se traída? E o medo de ser abandonado? Existem casos de casamentos marcados, data aproximando-se, e a pessoa simplesmente não consegue contar. Mas precisa. Nesse caso, precisa.

Talvez a melhor forma de evitar essa situação seja contar desde o início.
Mas atenção: "desde o início" não quer dizer "Oi, muito prazer, eu tenho hepatite C". Oi? Dá uma chance pra pessoa te conhecer antes, né? E saber o quanto você é encantador ou encantadora (rs). 

Acredite em mim: tem gente que não vai se importar.

Mas existirá também gente que se importará. Posso dizer sinceramente o que acho? Que isso sirva também como triagem pra você: pense se gostaria de ter um relacionamento com alguém assim. Eu não…

A minha dica é a seguinte: não saia contando pra todo mundo por aí. Conte para as pessoas que realmente merecem. Falo bastante sobre isso no post:

Quando for contar, cheque se a pessoa tem conhecimento a respeito, dê informações, ofereça folhetos, indique sites (este blog, por exemplo), convide para uma visita a um infectologista.

O post Namoro e HIV: contar ou não contar do blog Diante da Vida traz algumas dicas. Já aviso que é um blog gay, se tiver preconceito, nem entre.


Minha experiência


Nos últimos tempos, tenho falado abertamente sobre a hepatite C, mas só o faço depois que a pessoa me conhece e tem um conceito já formado a meu respeito*. Explico sobre a doença, sobre as formas de contágio, sobre o grave [e silencioso] problema social  que ela representa, e divulgo o blog.

*Refiro-me a relacionamentos sociais de modo geral, já que não tenho assim
muita experiência em relacionamentos amorosos após a descoberta do vírus.

Por que eu falo? Pela causa que represento: levar às pessoas informações sobre a epidemia das hepatites virais, alertando-as sobre prevenção e incentivando-as a fazerem o exame.
É uma escolha minha, que tem a ver com os meus princípios e crenças. Me exponho, é verdade, e arco com as consequências disso.
Se eu acho que você deve se expor? Já falei sobre isso lá em cima: conte apenas para quem merece.
De certo modo, é o que faço, mas digamos que o meu conceito anda bem ampliado… rs.

Recomendo a leitura:

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Flagrante de discriminação no Big Brother Brasil

O preconceito é, talvez, um dos maiores males do mundo moderno. Ele está por aí, escondido na maior parte das vezes. O que nos assusta é vê-lo tão escancarado em situações como a descrita neste post.

Sem, é claro, julgar o mérito do programa, vamos ater-nos a um fato isolado do BBB 11:
A reportagem exposta no link acima é um claro exemplo do que pode ser considerado discriminação.

Já havíamos visto situação semelhante no programa. Lembram-se dessa matéria sobre o BBB 2:
"Tarciana e Jeferson transaram sem camisinha, mas os dois não correram risco às cegas. Ao serem selecionados para o Big Brother Brasil, todos os 12 participantes são submetidos a testes anti-HIV e anti-hepatite C e só entram na casa aqueles cujo resultado do exame dá negativo. A iniciativa visa a proteger os próprios participantes." [grifo meu] Fonte: Globo.com


Em primeiro lugar, como já abordei diversas vezes aqui no Animando-C, a hepatite C não é uma doença sexualmente transmissível, como sugerido na matéria da Globo.com. Para quem não sabe, a transmissão da hepatite C se dá de forma parental, ou seja, contato direto de sangue com sangue contaminado. Clique para saber mais sobre a transmissão da hepatite C.

É possível que, como em muitas outras reportagens e artigos que circulam pela internet, eles estivessem tentando referir-se à hepatite B, que é outra doença - esta sim sexualmente transmissível, com risco de contágio 100 vezes maior que o HIV.

O que poderia ser apenas uma situação vergonhosa acaba tomando ares grotescos quando a reportagem afirma que "a iniciativa visa a proteger os próprios participantes". Soa estranho ou não?

As pessoas precisam ser protegidas dos infectados com HIV e HCV? Eles são um risco à sociedade? É perigoso conviver com eles? É perigoso ter relações de qualquer tipo, inclusive sexuais, com eles?

Não, gente! Não!!!

É pra combater o preconceito, não reforçá-lo: campanha do beijo polêmico do Ministério da Saúde.

Acham que estou exagerando? Então vejam os comentários abaixo, retirados da matéria citada no início deste post:
claudia - 14/01/2011 - 13:59 Estão mais do que certos, tanto a Globo quanto a Record*, já pensou numa prova do programa um destes doentes machucarem e transmitir uma doença contagiosa que não tem cura para um participante desavisado? Ia ter chuvas de processos.
maria - 14/01/2011 - 11:22 Estão certos reality não é local para estes tipos de doentes. vai que contagia alguém. nunca vi uma edição de bbb com tanta gente feia!!!!!!!!!!

*Segundo divulgado na mídia, na terceira edição de A Fazenda, um jogador de futebol teria sido cortado do programa, mesmo depois de ter assinado contrato, pelos exames terem detectado uma DST não divulgada.

Além dos erros conceituais que, nesse caso, referem-se à propagação da ideia de que a hepatite C pode ser transmitida pelo contato sexual, há um ensinamento muito mais permissivo: "olha, pode transar sem camisinha quando a pessoa é saudável, viu?"

Não, gente, não!!! (de novo)

Não dá pra julgar pela cara quem é saudável ou não.
E, sinceramente, nem pelo exame. Já ouviram falar em janela imunológica? Sabia que você pode estar infectado com HIV e o exame dar negativo?
Por que você acha que depois de fazer uma tatuagem você precisa ficar um ano sem doar sangue? É por que não estão precisando do seu sangue? #not

O preconceito contra soropositivos já foi explicitado numa edição anterior do Big Brother na Alemanha, como podemos ler neste post do blog Saudaids (recomendo):

Mas percebam que nesse caso o preconceito foi de um participante, não do programa.

Toda essa discussão me lembrou mais uma coisa: é crime realizar exames de HIV e hepatites virais sem o consentimento do paciente, inclusive para admissão ou exames periódicos em empresas. Fique atento! Leia abaixo o que diz a cartilha da Aiga sobre o assunto:

É crime a realização de teste das hepatites sem o conhecimento das pessoas? Sim. Todo o procedimento médico somente pode ser realizado com o esclarecimento e consentimento prévio das pessoas (art. 46 do Código de Ética Medica), em face ao direito de dispor sobre seu próprio corpo. Caracteriza crime de constrangimento ilegal (art. 146 do CP), a realização do teste das hepatites, sem o consentimento da pessoa ou do responsável legal, salvo se justificada por iminente perigo de vida (art. 146 § 3º do CP). O teste das hepatites em pré-operatórios, sem esclarecimento e consentimento do paciente, excetuado os casos de iminente risco de vida, é crime, violação à ética profissional e gera direito a indenização. A realização dos testes das hepatites, como forma de segurança da equipe médica, gera uma falsa segurança se considerarmos fatores como a "janela imunológica", por exemplo, além de violar os direitos das pessoas. Se você for submetido a testes para diagnosticar as hepatites, sem a sua autorização e consentimento, procure produzir prova sobre este fato através de testemunhas ou documentos.
A empresa tem direito de realizar o teste de detecção das hepatites para admissão de empregados? O teste das hepatites admissional é ilegal e não deve ser realizado nem de forma voluntária. O fato de a pessoa ser portadora de hepatite não implica redução da capacidade para o trabalho. O art. 182 da CLT exige exames para apurar a aptidão física na função que deverá exercer, o que torna desnecessária e discriminatória a solicitação de teste para detecção das hepatites. Por sua vez, a Lei nº 9.029/95, proíbe "a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de emprego, ou sua manutenção". A mesma lei também estabelece como crime a realização de teste ou qualquer outro procedimento relativo à esterilização ou estado de gravidez da empregada. No serviço público federal, através da portaria 869, de 11 de agosto de 1992, fica proibida a exigência de teste anti-HIV (perfeitamente aplicável, também, para os testes de detecção das hepatites), tanto nos exames admissionais como nos demissionais e periódicos.
O que deve ser feito diante da exigência do teste das hepatites como exame admissional, periódico ou demissional? O exame admissional não deve ser solicitado, mesmo com a concordância do trabalhador. Os exames periódicos e demissionais somente podem ser feitos com o conhecimento e consentimento do empregado. Caso você tenha seu direito violado, denuncie o fato ao Ministério Público do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Conselho Regional de Medicina e organizações não-governamentais. Quanto ao exame demissional, o objetivo é proteger o empregado e preservar o empregador de futuros problemas. Se o trabalhador estiver doente, não poderá ser dispensado, devendo ser encaminhado ao INSS para exame médico pericial e licença. Na hipótese da incapacidade para o trabalho ou para sua atividade habitual, por mais de 15 dias, será devido o benefício do auxílio-doença de acordo com o parecer do médico perito, que por lei, é quem dá o parecer final sobre o caso. Caso um edital de concurso exija o teste das hepatites e o candidato aprovado seja excluído por ser positivo, deverá procurar ajuda na Justiça, para, mediante uma AÇÃO CAUTELAR garantir o direito a admissão evitando o ato discriminatório.